Queria viajar só para poder fazer uma mala. Também tem a ver com o que eu disse no post passado (agora que eu finalmente terminei de arrumar o meu quarto, estou me sentindo órfã - preciso de alguma coisa que precise ser arrumada), mas acho que o principal é a minha imensa vontade de usar a mala vermelha de bolinhas brancas e rosas que a gente comprou nos EUA em julho.
Desde então, não fiz nenhuma outra viagem. Posso imaginar a mala dentro do armário, tomando poeira, pedindo para ser lotada de coisas e depois surrada em um porta-malas qualquer (de avião, ônibus, carro, o que for). Ela tem muita expressão. De longe, na esteira do aeroporto, podemos apontá-la, e ela sorri em resposta. Conhece alguma outra mala que pode ser tão fácil e calorosamente identificada?
Com a sua lona resistente sei que ela nunca irá me abandonar, o que a torna diferente de outras bolsas por aí, que, com o menor arranhão, rasgam seus tecidos baratos e se despedem da minha meticulosa companhia.
A mala a que eu me refiro é pequena (conquistou a Denise pela possibilidade de ser levada como bagagem de mão no avião), mas ela veio em um conjunto de três peças. Portanto, tem duas irmãs maiores que ela. A do meio é uma mala de tamanho normal, para uma viagem de duas ou três semanas, enquanto a maior é digna de uma volta ao mundo. Juntas, as três se completam. Mesmo assim, ao voltar dos EUA, eu, a Denise e a Paula não só enchemos todas elas como também uma de tamanho parecido com o da média e duas outras que, somadas, equivaleriam em volume à média. Não é à toa que os homens da alfândega pediram que a gente passasse todos os nossos pertences pelo raio-x.
Bom, isso não importa, porque não pediram para a gente declarar nada, afinal, não estávamos fazendo contrabando nem carregando compras ilícitas. Importa que fiquei meio preocupada ao virgular o parágrafo anterior, acho que porque eu estou lendo um livro de tradução agoniante (O casaco de Marx). Tenho medo de ser contaminada. Até agora nada, espero.
Estou lendo também outras coisas, porque ando muito ansiosa. Depois quero começar a ler livros que tenham a ver com História. Na fila: Maria Antonietta (o que deu origem ao filme da Sofia Coppola; eu já tinha começado antes mas fiquei doente e parei), O apogeu da cidade medieval (Le Goff; se eu tiver competência), A História do medo no Ocidente (Jean Jacques Delumeau; não soa interessante?), A filha da Revolução (John Reed; depois pretendo ir para Os dez dias que abalaram o mundo).
Tudo isso porque eu fiquei um ano sem ler nada de intelectualmente enriquecedor. Por falar nisso, agora que eu já vi todos os filmes do Tarantino, queria ver todos os do Coppola, depois todos do Kubrick e assim por diante; aos poucos, tentar consertar algumas das minhas milhões de lacunas cinematográficas. Devagar. Vai dar certo.
Estou contando com o aumento do meu tempo livre neste ano, quero que ele seja extremamente bem aproveitado. Além disso, como eu já disse, quero começar a aprender alemão e, como tudo o que diz respeito a melhorar, quero levar isso a sério.
Já que a minha mente está bem encaminhada, preciso começar a cuidar do meu corpo. Dependendo do que acontecer, posso até tentar investir na minha vida social (mas isto fica por último, como de costume).
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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Um comentário:
lugar certo hora errada?? eu me sinto o contrario o tempo todo ...completamente hora certa lugar errado
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