quinta-feira, 29 de julho de 2010

Se o crepúsculo trazia as tristezas, era provavelmente pela falta da luz. O mundo escurecia, opressivo, e a idéia mais óbvia era que o sol levasse embora todas as verdades em que acreditávamos, tábuas rígidas de madeira em que pisávamos, quase sempre tomando enorme cuidado (abrindo os braços quando necessário), para que conseguíssemos permanecer andando, apoiando-as sobre duas superfícies distantes.

Talvez o sol devolvesse os nossos pedaços de madeira quando voltasse a nos ver, no dia seguinte, e por isso acordaríamos nos sentindo melhor. Acordaríamos com vontade de enfileirá-los e continuar nossos percursos, não importasse aonde estivéssemos indo, até que ele voltasse novamente para recolhê-los. Um dia depois do outro.

Estranho descobrir que, mesmo com luz, a tristeza vem. Uma sensação precisamente igual de verdades sendo tiradas, conforme o fim do dia se aproxima. A angústia aumentando a cada minuto que se segue; o sol imóvel, sem se importar.

A prova de que o ideal, talvez, seja não acreditarmos em nada. Vivermos pela inércia de viver, sem pensar no que fazemos, sem olhar para onde pisamos. E perceber que a maioria das pessoas não se preocupa em arranjar explicações para os seus sentimentos.