Já diria Drummond, O último dia do ano Não é o último dia do tempo.
E pra mim não é mesmo, no ano passado teve festa no dia 31 e tudo, mas o ano novo só começou depois da Fuvest. 2009 vai começar mais tarde ainda, só depois da Unicamp, o que é ou deveria ser uma coisa boa. Agüentei até agora, o que são mais duas semanas?
Por isso eu queria estar dormindo durante a meia-noite de hoje, afinal, esses são dias de estudo iguais a todos os outros do ano. No fim, eu nem dou valor a toda essa superstição - e, mesmo quando eu dei, não funcionou, ou seja, nenhuma superstição pode ser melhor do que não ter nenhuma superstição.
A Paula riu da minha colocação, e riu também do meu Vans novo, que, segundo ela, parece o tênis daquele cara que se dispara em um canhão, no circo (homem-bala, uma coisa assim). Só porque ele é azul e prateado e brilha. Na minha opinião, é bem mais Speed Racer.
Estou vestindo o Vans e um vestido Lacoste branco de bolinhas vermelhas, esperando por um jantar sem graça de reveillon. Me contento em pensar nas férias que estão chegando, no fim dos vestibulares, e em me imaginar daqui a um ano fazendo guerra de neve com os meus primos, em algum lugar perdido da América...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
domingo, 28 de dezembro de 2008
Desde uma semana atrás, mais ou menos, sempre que eu como eu fico com uma dor de cabeça enjoativa.
Isso só costuma acontecer quando eu deixo de tomar o remédio de manhã, ou quando a minha dose é diminuída. Mas, agora, nada disso está acontecendo. É só uma dor de cabeça ingrata, que vem do nada e me faz suar frio. Bem agora que falta uma semana para começar a Fuvest...
O meu psiquiatra me perguntava o que eu fazia quando sentia essa dor de cabeça. Não fazia nada, só continuava fazendo o que eu precisava fazer. "Ah... Eu estudo." (Naquela época eu estudava bastante.) Ele recomendou que eu tomasse um tylenol ou algo do tipo e fosse deitar um pouco. Eu reclamei que não podia deitar todas as tardes, e que não conseguiria deitar sem dormir (se eu dormisse, não acordaria nunca mais, e perderia toda a tarde de estudo).
Ele ficou contando de um congresso sobre dor de cabeça (que interessante...), em que os neurologistas fodões falavam que um remédio analgésico desses daí demora uns 40 minutos até fazer efeito. E que, enquanto isso, você tem que poupar esforços ao seu cérebro, ou seja, ficar sem fazer nada.
É claro que isso funciona. No ápice da minha situação de efeitos colaterais, só o que eu consigo é ficar deitada agonizando, mesmo. A pressão cai muito fácil, não resta outra opção senão deitar e morrer por um tempinho.
Acho que é o que eu vou fazer enquanto espero a Clau, que vem aqui para estudar. Não vou conseguir terminar a arrumação que eu comecei a fazer no meu quarto hoje de manhã, e nem quero me arriscar a começar a estudar. É isso, deitar um minutinho, descansar um pouco, por que não?
Isso só costuma acontecer quando eu deixo de tomar o remédio de manhã, ou quando a minha dose é diminuída. Mas, agora, nada disso está acontecendo. É só uma dor de cabeça ingrata, que vem do nada e me faz suar frio. Bem agora que falta uma semana para começar a Fuvest...
O meu psiquiatra me perguntava o que eu fazia quando sentia essa dor de cabeça. Não fazia nada, só continuava fazendo o que eu precisava fazer. "Ah... Eu estudo." (Naquela época eu estudava bastante.) Ele recomendou que eu tomasse um tylenol ou algo do tipo e fosse deitar um pouco. Eu reclamei que não podia deitar todas as tardes, e que não conseguiria deitar sem dormir (se eu dormisse, não acordaria nunca mais, e perderia toda a tarde de estudo).
Ele ficou contando de um congresso sobre dor de cabeça (que interessante...), em que os neurologistas fodões falavam que um remédio analgésico desses daí demora uns 40 minutos até fazer efeito. E que, enquanto isso, você tem que poupar esforços ao seu cérebro, ou seja, ficar sem fazer nada.
É claro que isso funciona. No ápice da minha situação de efeitos colaterais, só o que eu consigo é ficar deitada agonizando, mesmo. A pressão cai muito fácil, não resta outra opção senão deitar e morrer por um tempinho.
Acho que é o que eu vou fazer enquanto espero a Clau, que vem aqui para estudar. Não vou conseguir terminar a arrumação que eu comecei a fazer no meu quarto hoje de manhã, e nem quero me arriscar a começar a estudar. É isso, deitar um minutinho, descansar um pouco, por que não?
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Fiquei pensando se photography are for those who can't draw.
Em geral, é mais rápido, mais fácil, e toda essa agilidade faz com que você se sinta melhor com mais velocidade.
O desenho demora, é árduo, e sempre parece que não vai dar certo no começo. Ver as linhas esboçadas, a cabeça desencontrando com o corpo e a luz que não pára de oscilar dá medo.
Mas, se você é um bom fotógrafo, você tem tudo para ser um bom desenhista. As imagens fixas na sua cabeça como se estivessem impresas em filme, devem existir chapas de metal microscópicas com as cenas da sua vida dentro do seu cérebro.
Já li coisas sobre a nossa memória ser associativa: ela funciona, de fato, por associação de imagens. Às vezes imagens com movimento, é claro, mas são todas quadros de uma mesma ação, como no cinema.
A imagem de todas as pessoas que você conhece. A imagem de uma lembrança. Aquela fórmula complicada de física, a nota no jornal, o armário do seu quarto. O jeito que você enxerga quando enfia um dos olhos para ver através das lentes da câmera, imagens que um míope enxerga sem óculos, aquela cena de você com 3 anos caindo de cara no chão (você lembra do chão vindo na sua direção ou enxerga simplesmente uma criancinha caindo, de roupa branca e cabelo curto, vista lateral?)
Se você fotografa bem, quer dizer que você tem facilidade para transportar as três dimensões do que você está vendo para as duas dimensões do papel. Se você desenha bem, idem. Um complementa o outro, você precisa ter muita noção de projeto para ser um bom fotográfo, e conseguir imaginar o que poderia dar certo quando não estivesse sendo olhado por você mesmo. No desenho isso é mais empírico, você pode experimentar várias vezes em uma mesma tentativa; é preciso tirar muitas fotos até se entender como uma idéia se torna registro.
Em geral, é mais rápido, mais fácil, e toda essa agilidade faz com que você se sinta melhor com mais velocidade.
O desenho demora, é árduo, e sempre parece que não vai dar certo no começo. Ver as linhas esboçadas, a cabeça desencontrando com o corpo e a luz que não pára de oscilar dá medo.
Mas, se você é um bom fotógrafo, você tem tudo para ser um bom desenhista. As imagens fixas na sua cabeça como se estivessem impresas em filme, devem existir chapas de metal microscópicas com as cenas da sua vida dentro do seu cérebro.
Já li coisas sobre a nossa memória ser associativa: ela funciona, de fato, por associação de imagens. Às vezes imagens com movimento, é claro, mas são todas quadros de uma mesma ação, como no cinema.
A imagem de todas as pessoas que você conhece. A imagem de uma lembrança. Aquela fórmula complicada de física, a nota no jornal, o armário do seu quarto. O jeito que você enxerga quando enfia um dos olhos para ver através das lentes da câmera, imagens que um míope enxerga sem óculos, aquela cena de você com 3 anos caindo de cara no chão (você lembra do chão vindo na sua direção ou enxerga simplesmente uma criancinha caindo, de roupa branca e cabelo curto, vista lateral?)
Se você fotografa bem, quer dizer que você tem facilidade para transportar as três dimensões do que você está vendo para as duas dimensões do papel. Se você desenha bem, idem. Um complementa o outro, você precisa ter muita noção de projeto para ser um bom fotográfo, e conseguir imaginar o que poderia dar certo quando não estivesse sendo olhado por você mesmo. No desenho isso é mais empírico, você pode experimentar várias vezes em uma mesma tentativa; é preciso tirar muitas fotos até se entender como uma idéia se torna registro.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Experimentei o salto 15 da Paula para ver se conseguiria suportá-lo amanhã na festa de Natal, e aparentemente não vou conseguir. Minhas unhas estão pintadas de amarelo, acho que vai ficar legal com o vestido roxo de seda.
Espero que faça calor, odeio vestido no frio, isso implica em meia-calça e casaco, um estorvo.
Queria cortar o cabelo mas vou me sentir melhor se eu só fizer isso depois da Fuvest. Superstição, droga.
Espero que faça calor, odeio vestido no frio, isso implica em meia-calça e casaco, um estorvo.
Queria cortar o cabelo mas vou me sentir melhor se eu só fizer isso depois da Fuvest. Superstição, droga.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ontem Be kind rewind maravilhoso, hoje estudos de literatura com a Clau, amanhã poucas aulas e provavelmente mais cinema, quarta Natal.
Aulas em 23 de dezembro, não soa muito estranho?
Hoje resultado inesperadíssimo do Senac que me deixou melancólica (não quero estar em um lugar em que todos são piores do que eu).
Planos para esportes no ano que vem, o calor me deixa muito empolgada. Quando os meus Asics estiverem gastos, planos para um par de Newton's Gravity.
(Planos para planejamento sobre planos, que possivelmente nunca vão deixar de ser planos.)
Queria ter um corpo bonito, a Clau acha legal ser molinha, com a pele balançando. Planos para tirar a minha Caloi 10 da garagem, processo iniciado ontem em aventura até a USP.
Chato isso de as pessoas ainda não terem ido embora de São Paulo. As férias estão aí, pessoal! Será que não dava para deixar o trânsito mais agradável, pelo menos por uma semana?
Procurando estímulos, fico desenhando, o que não deixa de ser estudar. Dou um chute na física e abraço a história, o português de hoje já valeu pelo ano todo, o desenho geométrico vai ser ajudado pela Denise assim que o feriado começar.
Comprei os materiais que faltavam para a prova da FAU (colas e grafites e até fitas adesivas), dá aflição pensar que já está chegando...
Clima total de fazer nada aqui em casa, ninguém nem respeita mais os meus horários. Televisão no último volume, secador à meia-noite...
Mas o que mais me irrita é o bebê do vizinho. Alguém, por favor, poderia fazer alguma coisa com o bebê do vizinho? Ele me acorda todas as noites, de madrugada, às vezes até adianta o meu despertador das 05h30. Descobri que ele se chama Pedro. Pedro, odioso, maldito Pedro, nunca vi uma pessoa só produzir tantos decibéis.
E choro de bebê ainda tem aquele tom de desespero, parece que começou uma guerra ou que vamos todos morrer queimados em breve - acordo sempre pulando. E é claro que eu nunca consigo dormir de novo. Primeiro por causa do susto, segundo porque, depois que ele começa, nunca mais pára de chorar.
Não é possível, estou começando a desconfiar que os pais dele saem de casa durante a noite e largam ele sozinho. Ou que tomam tantos sedativos antes de dormir que, da próxima vez, eu é que vou ter que dar um jeito no filho dos outros.
Aulas em 23 de dezembro, não soa muito estranho?
Hoje resultado inesperadíssimo do Senac que me deixou melancólica (não quero estar em um lugar em que todos são piores do que eu).
Planos para esportes no ano que vem, o calor me deixa muito empolgada. Quando os meus Asics estiverem gastos, planos para um par de Newton's Gravity.
(Planos para planejamento sobre planos, que possivelmente nunca vão deixar de ser planos.)
Queria ter um corpo bonito, a Clau acha legal ser molinha, com a pele balançando. Planos para tirar a minha Caloi 10 da garagem, processo iniciado ontem em aventura até a USP.
Chato isso de as pessoas ainda não terem ido embora de São Paulo. As férias estão aí, pessoal! Será que não dava para deixar o trânsito mais agradável, pelo menos por uma semana?
Procurando estímulos, fico desenhando, o que não deixa de ser estudar. Dou um chute na física e abraço a história, o português de hoje já valeu pelo ano todo, o desenho geométrico vai ser ajudado pela Denise assim que o feriado começar.
Comprei os materiais que faltavam para a prova da FAU (colas e grafites e até fitas adesivas), dá aflição pensar que já está chegando...
Clima total de fazer nada aqui em casa, ninguém nem respeita mais os meus horários. Televisão no último volume, secador à meia-noite...
Mas o que mais me irrita é o bebê do vizinho. Alguém, por favor, poderia fazer alguma coisa com o bebê do vizinho? Ele me acorda todas as noites, de madrugada, às vezes até adianta o meu despertador das 05h30. Descobri que ele se chama Pedro. Pedro, odioso, maldito Pedro, nunca vi uma pessoa só produzir tantos decibéis.
E choro de bebê ainda tem aquele tom de desespero, parece que começou uma guerra ou que vamos todos morrer queimados em breve - acordo sempre pulando. E é claro que eu nunca consigo dormir de novo. Primeiro por causa do susto, segundo porque, depois que ele começa, nunca mais pára de chorar.
Não é possível, estou começando a desconfiar que os pais dele saem de casa durante a noite e largam ele sozinho. Ou que tomam tantos sedativos antes de dormir que, da próxima vez, eu é que vou ter que dar um jeito no filho dos outros.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
rascunho
Um dia, quando uma mulher tiver o diamante do seu pescoço elogiado pelo homem que chega ao seu encontro em um restaurante qualquer, ela responderá Obrigada. É a minha namorada.
Ele rirá, sem entender, e, ao puxar uma cadeira para se sentar, ela explicará, depois de um breve gole de vinho tinto: Átomos de carbono. Diamantes são feitos de átomos de carbono, assim como a minha namorada.
Ele então entenderá do que ela estava falando, e contará à minha ex-namorada viúva a respeito de um artista que exigiu ser transformado em grafites de lápis. O mesmo princípio do carbono do seu diamante.
Ela tocará a corrente de ouro, melancólica, e apertará o diamante com os dedos por alguns instantes.
O garçom servirá vinho a ele, e eles pedirão entradas.
Ela continuará pensando no meu corpo que pende do seu pescoço, ele pensará no corpo dela que descansa dentro do vestido verde escuro. Ele fingirá admirar o diamante enquanto seu olhar tentará entrar pelo decote dela.
Queria influenciar outras pessoas, ele continuará falando do artista-grafite. Mas entre eles o assunto sempre acabaria muito rápido.
Ela sorrirá. Parece mais interessante do que uma simples lembrança, ela dirá, apontando para o colar, embora soubesse que aquilo não só era uma coisa idiota de se falar, como também era algo em que ela não era capaz de acreditar nem por um segundo.
Não acho, ele responderá, inclinando uma das mãos na minha direção. Ela se esquivará. Não toque nela.
Ele rirá, sem entender, e, ao puxar uma cadeira para se sentar, ela explicará, depois de um breve gole de vinho tinto: Átomos de carbono. Diamantes são feitos de átomos de carbono, assim como a minha namorada.
Ele então entenderá do que ela estava falando, e contará à minha ex-namorada viúva a respeito de um artista que exigiu ser transformado em grafites de lápis. O mesmo princípio do carbono do seu diamante.
Ela tocará a corrente de ouro, melancólica, e apertará o diamante com os dedos por alguns instantes.
O garçom servirá vinho a ele, e eles pedirão entradas.
Ela continuará pensando no meu corpo que pende do seu pescoço, ele pensará no corpo dela que descansa dentro do vestido verde escuro. Ele fingirá admirar o diamante enquanto seu olhar tentará entrar pelo decote dela.
Queria influenciar outras pessoas, ele continuará falando do artista-grafite. Mas entre eles o assunto sempre acabaria muito rápido.
Ela sorrirá. Parece mais interessante do que uma simples lembrança, ela dirá, apontando para o colar, embora soubesse que aquilo não só era uma coisa idiota de se falar, como também era algo em que ela não era capaz de acreditar nem por um segundo.
Não acho, ele responderá, inclinando uma das mãos na minha direção. Ela se esquivará. Não toque nela.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
2009: a chance definitiva para a minha vida.
Eu sei que eu tinha dito 5 anos (a Clau até me cobrou isso hoje), mas acho que só mais um está bom demais. Se não melhorar agora, nunca vai melhorar.
Fiquei pensando nisso e em outras coisas tristes enquanto voltava pra casa do ponto de ônibus, e é engraçado como os nossos pés realmente ficam mais pesados quando a gente está com idéias ruins na cabeça.
Outro dia a Mari R disse que acha que, de qualquer jeito, a gente vai estar chorando no dia 04 de fevereiro - ou de alegria, ou de felicidade. Isso ficou martlelando na minha consciência...
Então ontem, durante o almoço, eu perguntei "Mãe, você já chorou de alegria?" Ela pensou para dizer "Já... Já chorei de emoção" "Ah" "Você nunca chorou de emoção?" "Como assim? Acho que eu nunca tive uma emoção tão grande".
Fico triste por isso, será que em 18 anos nada valeu a pena de verdade?
Nada que me fizesse chorar de felicidade... (Me lembrei que eu nunca vi um menino chorando, o que não tem nada a ver mas me fez rir em algum momento, e é por isso que eu não imagino meninos chorando.) Uma vida vazia.
Por um lado é minha culpa, eu sei.
Fiquei planejando o meu suicídio, teria que ser uma cena linda, como eu já conversei com a Paula a respeito antes. Com vestidos compridos, no alto de um prédio, com muito vento e maquiagem.
Eu passaria 2009 preparando as pessoas ao meu redor para a minha morte. "Gente, o meu último aniversário!" ou "Nossa última viagem juntos!", e então os momentos seriam bem mais divertidos, porque seriam, é claro, únicos. Poderíamos fazer uma despedida, uma festa ou qualquer outro tipo de comemoração, e quem quisesse também poderia assistir à cena final.
Todos aceitariam muito bem porque seria uma opção - em nenhum momento me fariam pensar melhor sobre a minha decisão, ou tentariam me impedir de chegar aonde eu quisesse. No último dia do ano, eu não pensaria duas vezes antes de ir embora, e iria feliz, porque saberia que dali em diante as coisas começariam a dar mesmo errado se eu insistisse em continuar.
Morreria sorrindo, como a Nina faz enquanto dorme, e se doesse seria uma dor bonita e extremamente grata. Eu morreria e me espalharia por tudo, por todos os lugares do mundo, cada quark de mim flutuando nas correntes de ar, as pessoas me inspirariam e expirariam, eu estaria na água e entraria nos ciclos de vida dos outros animais.
Eu sei que eu tinha dito 5 anos (a Clau até me cobrou isso hoje), mas acho que só mais um está bom demais. Se não melhorar agora, nunca vai melhorar.
Fiquei pensando nisso e em outras coisas tristes enquanto voltava pra casa do ponto de ônibus, e é engraçado como os nossos pés realmente ficam mais pesados quando a gente está com idéias ruins na cabeça.
Outro dia a Mari R disse que acha que, de qualquer jeito, a gente vai estar chorando no dia 04 de fevereiro - ou de alegria, ou de felicidade. Isso ficou martlelando na minha consciência...
Então ontem, durante o almoço, eu perguntei "Mãe, você já chorou de alegria?" Ela pensou para dizer "Já... Já chorei de emoção" "Ah" "Você nunca chorou de emoção?" "Como assim? Acho que eu nunca tive uma emoção tão grande".
Fico triste por isso, será que em 18 anos nada valeu a pena de verdade?
Nada que me fizesse chorar de felicidade... (Me lembrei que eu nunca vi um menino chorando, o que não tem nada a ver mas me fez rir em algum momento, e é por isso que eu não imagino meninos chorando.) Uma vida vazia.
Por um lado é minha culpa, eu sei.
Fiquei planejando o meu suicídio, teria que ser uma cena linda, como eu já conversei com a Paula a respeito antes. Com vestidos compridos, no alto de um prédio, com muito vento e maquiagem.
Eu passaria 2009 preparando as pessoas ao meu redor para a minha morte. "Gente, o meu último aniversário!" ou "Nossa última viagem juntos!", e então os momentos seriam bem mais divertidos, porque seriam, é claro, únicos. Poderíamos fazer uma despedida, uma festa ou qualquer outro tipo de comemoração, e quem quisesse também poderia assistir à cena final.
Todos aceitariam muito bem porque seria uma opção - em nenhum momento me fariam pensar melhor sobre a minha decisão, ou tentariam me impedir de chegar aonde eu quisesse. No último dia do ano, eu não pensaria duas vezes antes de ir embora, e iria feliz, porque saberia que dali em diante as coisas começariam a dar mesmo errado se eu insistisse em continuar.
Morreria sorrindo, como a Nina faz enquanto dorme, e se doesse seria uma dor bonita e extremamente grata. Eu morreria e me espalharia por tudo, por todos os lugares do mundo, cada quark de mim flutuando nas correntes de ar, as pessoas me inspirariam e expirariam, eu estaria na água e entraria nos ciclos de vida dos outros animais.
domingo, 14 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Ontem foi aniversário da Meg e foi um dia bom, esquentou e as notas de corte saíram.
O calor não foi tão bom assim, mas pelo menos eu pude usar shorts e finalmente valorizei o ar condicionado da sala 54.
Hoje chuva insuportável de deixar o cabelo incomodando e a pele melada, parecia praia, um horror.
Eu, a Clau e o Marcel ficamos horas fazendo contas de médias da Fuvest. Ao que tudo indica, nenhum de nós precisa fazer grandes milagres na segunda fase. Hope so.
Depois conversamos com o Herman, e ele trata a prova de desenho como se fosse a coisa mais simples do mundo, e tem certeza de que a maioria das pessoas que está prestando arquitetura e design tem um desenho medíocre. Mesma opinião da Denise, que nunca vai se conformar se eu for mal nessa prova.
Para amanhã planejo cinema (provavelmente Rebobine, por favor - que ainda está na pré-estréia -, porque Uma cidade sem lei eu combinei de ver com a Paula) e o que mais de interessante aparecer.
Sobre sábado o horóscopo mensal diz maravilhas, portanto, estou aceitando convites.
Nada além disso, rinite bad, preciso de um banho.
O calor não foi tão bom assim, mas pelo menos eu pude usar shorts e finalmente valorizei o ar condicionado da sala 54.
Hoje chuva insuportável de deixar o cabelo incomodando e a pele melada, parecia praia, um horror.
Eu, a Clau e o Marcel ficamos horas fazendo contas de médias da Fuvest. Ao que tudo indica, nenhum de nós precisa fazer grandes milagres na segunda fase. Hope so.
Depois conversamos com o Herman, e ele trata a prova de desenho como se fosse a coisa mais simples do mundo, e tem certeza de que a maioria das pessoas que está prestando arquitetura e design tem um desenho medíocre. Mesma opinião da Denise, que nunca vai se conformar se eu for mal nessa prova.
Para amanhã planejo cinema (provavelmente Rebobine, por favor - que ainda está na pré-estréia -, porque Uma cidade sem lei eu combinei de ver com a Paula) e o que mais de interessante aparecer.
Sobre sábado o horóscopo mensal diz maravilhas, portanto, estou aceitando convites.
Nada além disso, rinite bad, preciso de um banho.
sábado, 6 de dezembro de 2008
As pessoas têm vindo me falar que lêem esse blog. E que gostam dele! Ontem foi a vez do Tiago (amigo da Paula) e da Mari (Equipe), mas antes já ouvi isso do Mammi (Antonio Bender) e de algumas outras pessoas através do disse-que-disse.
A dúvida que não quer calar: por que ninguém comenta?
Fiquei pensando no hífen aí em cima e, ai, por que é que eles não aproveitam a droga da reforma ortográfica e tiram essa coisa da nossa língua portuguesa? Não ia ser bem mais legal guardachuva ou pôrdosol? (A melhor parte são os encontros de consoantes e vogais. Afinal, por que o girassol ganhou 2 "s" e o pôr-do-sol ficou com os hifens?)
Ganhei uma agenda gracinha do Andy Warhol - um bom jeito para começar um ano novo com o pé direito. Aquele processo de sempre, anotar aniversários, feriados... Estou traumatizada porque neste ano demorei muito para comprar uma agenda e, depois de ter comprado, acabei parando de usar, porque comecei a anotar muitas coisas nela e fui ficando meio paranóica.
Joguei a agenda dentro de um armário e comecei a fazer listas diárias em páginas de caderno, e em algum momento isso evoluiu para a produção mensal de calendários com notas organizadas e legendas indicando coisas importantes. Meio que para não precisar usar o calendário do Anglo, também.
A Paula está me desenhando há mil anos no seu Moleskine. Falando em Moleskine, hoje vi uma agenda Moleskine linda vermelha (do tamanho de um caderno A5) por 70 reais!!
Nossa, olha que frase horrível, agenda Moleskine linda vermelha. Seria melhor agenda linda vermelha Moleskine? Ou agenda linda Moleskine vermelha? Ah, que horror, precisamos também de uma "order of adjectives", anotem aí.
A dúvida que não quer calar: por que ninguém comenta?
Fiquei pensando no hífen aí em cima e, ai, por que é que eles não aproveitam a droga da reforma ortográfica e tiram essa coisa da nossa língua portuguesa? Não ia ser bem mais legal guardachuva ou pôrdosol? (A melhor parte são os encontros de consoantes e vogais. Afinal, por que o girassol ganhou 2 "s" e o pôr-do-sol ficou com os hifens?)
Ganhei uma agenda gracinha do Andy Warhol - um bom jeito para começar um ano novo com o pé direito. Aquele processo de sempre, anotar aniversários, feriados... Estou traumatizada porque neste ano demorei muito para comprar uma agenda e, depois de ter comprado, acabei parando de usar, porque comecei a anotar muitas coisas nela e fui ficando meio paranóica.
Joguei a agenda dentro de um armário e comecei a fazer listas diárias em páginas de caderno, e em algum momento isso evoluiu para a produção mensal de calendários com notas organizadas e legendas indicando coisas importantes. Meio que para não precisar usar o calendário do Anglo, também.
A Paula está me desenhando há mil anos no seu Moleskine. Falando em Moleskine, hoje vi uma agenda Moleskine linda vermelha (do tamanho de um caderno A5) por 70 reais!!
Nossa, olha que frase horrível, agenda Moleskine linda vermelha. Seria melhor agenda linda vermelha Moleskine? Ou agenda linda Moleskine vermelha? Ah, que horror, precisamos também de uma "order of adjectives", anotem aí.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Cheiro horrível de camarão hoje em casa pela tarde inteira, porque a Denise estava fazendo um vatapá para o aniversário da minha avó (que resolveu, depois dos 80, recuperar as origens).
Sem conseguir estudar, fui dormir, e a Denise não atendeu ao meu pedido - irônico, mas que poderia perfeitamente ser atendido, bastava um pouco de boa vontade - por um bolo de chocolate. Tudo bem, menos pernas no meu corpo.
Aniversário da Nina e eu deveria estar me arrumando, preguiça que dói na alma e vontade de nada, como em todas as noites de sexta-feira, com algumas raras exceções.
Senac domingo me desanimando, pelo menos eu não vou precisar enfrentar os peixes e frutos do mar do almoço de família, embora eu quisesse muito ir a essa festa. Mas vai ser bom, mesmo, vou chegar na hora da sobremesa, e é só disso que eu preciso.
Sem conseguir estudar, fui dormir, e a Denise não atendeu ao meu pedido - irônico, mas que poderia perfeitamente ser atendido, bastava um pouco de boa vontade - por um bolo de chocolate. Tudo bem, menos pernas no meu corpo.
Aniversário da Nina e eu deveria estar me arrumando, preguiça que dói na alma e vontade de nada, como em todas as noites de sexta-feira, com algumas raras exceções.
Senac domingo me desanimando, pelo menos eu não vou precisar enfrentar os peixes e frutos do mar do almoço de família, embora eu quisesse muito ir a essa festa. Mas vai ser bom, mesmo, vou chegar na hora da sobremesa, e é só disso que eu preciso.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
A Fuvest ter dado relativamente certo até agora é uma coisa boa, que evita muitos constrangimentos. Em mesas de família, conversas rápidas com conhecidos e algumas situações de pessoas não íntimas o suficiente.
Foi assim hoje com o meu psiquiatra, mas eu continuo achando que não tem a menor graça falar de vestibular com ele, afinal, ele passou em medicina!
Ele perguntou, com um sorriso de expectativa, sobre o que eu achava que ia mudar na minha vida quando eu entrasse na faculdade. Tentei não pensar em tudo o que eu acho que a faculdade tem de ruim, e respondi que achava que nada ia mudar.
Ele se assustou, e, como todos os adultos, começou a elogiar a vida de faculdade (soa tão estranho o jeito como eles suspiram com ar de "foi a melhor época da minha vida", acho que porque é muito perto para ser a melhor época da minha vida, e dá a sensação de que, depois disso, já vai estar na hora de morrer). Disse como é bom sair da atmosfera do cursinho, enfatizou isso falando do retorno ao convívio social e da diminuição de preocupações a longo prazo, como se fosse uma volta à escola.
Realmente, deve ser bom tirar esse peso da consciência, aliás, eu estava fuçando o site do Anglo agora há pouco, atrás de um resultado, e achei uns vídeos que eu nunca tinha visto, do Renan dando orientações sobre o processo de preparação para o vestibular, programas de uns dez minutos de duração.
(me senti meio deslocada assistindo a trechinhos aleatórios das falas dele. Agora que já está quase no fim, seja o que for.)
Acho difícil me imaginar na faculdade, penso em mim perdida vagando sozinha por corredores, sendo simpática com as pessoas mas não fazendo realmente questão delas. No começo vou odiar, tenho certeza. E vou achar que nada daquilo tem a ver comigo, e que eu nunca vou conseguir chegar aonde eu quero.
É verdade, eu nem sei aonde eu quero chegar... Nem aonde eu não quero chegar, como dizem os idiotas ou os pessimistas ou sei lá que tipo de pessoa é que diz isso. Eu só não quero, às vezes, continuar.
Talvez um coma induzido por alguns meses não fosse de todo o mal. Eu queria mesmo era que o universo inteiro desse pause por um tempinho, ou seja, não só comigo parada: com tudo parado, todo e qualquer grão de poeira cósmica. E, depois, voltaríamos como se nada e tudo tivesse acontecido ao mesmo tempo. A sensação de uma noite bem dormida ou da melhora de uma gripe, ou sabe quando dá aquela felicidade tão sem motivo que passa bem rápido?
Foi assim hoje com o meu psiquiatra, mas eu continuo achando que não tem a menor graça falar de vestibular com ele, afinal, ele passou em medicina!
Ele perguntou, com um sorriso de expectativa, sobre o que eu achava que ia mudar na minha vida quando eu entrasse na faculdade. Tentei não pensar em tudo o que eu acho que a faculdade tem de ruim, e respondi que achava que nada ia mudar.
Ele se assustou, e, como todos os adultos, começou a elogiar a vida de faculdade (soa tão estranho o jeito como eles suspiram com ar de "foi a melhor época da minha vida", acho que porque é muito perto para ser a melhor época da minha vida, e dá a sensação de que, depois disso, já vai estar na hora de morrer). Disse como é bom sair da atmosfera do cursinho, enfatizou isso falando do retorno ao convívio social e da diminuição de preocupações a longo prazo, como se fosse uma volta à escola.
Realmente, deve ser bom tirar esse peso da consciência, aliás, eu estava fuçando o site do Anglo agora há pouco, atrás de um resultado, e achei uns vídeos que eu nunca tinha visto, do Renan dando orientações sobre o processo de preparação para o vestibular, programas de uns dez minutos de duração.
(me senti meio deslocada assistindo a trechinhos aleatórios das falas dele. Agora que já está quase no fim, seja o que for.)
Acho difícil me imaginar na faculdade, penso em mim perdida vagando sozinha por corredores, sendo simpática com as pessoas mas não fazendo realmente questão delas. No começo vou odiar, tenho certeza. E vou achar que nada daquilo tem a ver comigo, e que eu nunca vou conseguir chegar aonde eu quero.
É verdade, eu nem sei aonde eu quero chegar... Nem aonde eu não quero chegar, como dizem os idiotas ou os pessimistas ou sei lá que tipo de pessoa é que diz isso. Eu só não quero, às vezes, continuar.
Talvez um coma induzido por alguns meses não fosse de todo o mal. Eu queria mesmo era que o universo inteiro desse pause por um tempinho, ou seja, não só comigo parada: com tudo parado, todo e qualquer grão de poeira cósmica. E, depois, voltaríamos como se nada e tudo tivesse acontecido ao mesmo tempo. A sensação de uma noite bem dormida ou da melhora de uma gripe, ou sabe quando dá aquela felicidade tão sem motivo que passa bem rápido?
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