Sem conseguir estabelecer o que eu tenho sentido nos últimos tempos. Se alguém - qualquer um - me empurrasse contra a parede e me perguntasse "Feliz ou triste?", eu não estaria mentindo se jurasse não saber responder.
O sentimento é bem parecido nos dois casos.
As pálpebras sendo puxadas para dentro do corpo, é preciso segurar a cabeça para que ela não ceda para trás. A parte mais difícil é não fechar os olhos. E ficar parada, mesmo pensando em tudo menos no que alguém está tentando te dizer, permanecer parada para que ninguém desconfie, de se perguntar "Feliz ou triste?", embora "Feliz" seja sempre bom de ser divulgado, mas não "Muito feliz", porque a inveja é inconsciente e supersticiosa.
Tudo isso causa arranhões e vergões vermelhos feios de tão superficiais, a pele tentando resistir e é uma pena que ela consiga, preferiríamos com certeza escarlate se pudéssemos escolher, mas os gestos de machucar são mecânicos e não estudados, são apenas resultado de crises idiotas de ansiedade.
Como as minhas mãos podem se mover sozinhas eu não sei, procuro pedi-las para parar quando me lembro, ainda que elas nunca me obedesçam.
Me incomoda o jeito como eu espero demais de mim e da minha vida, a vontade que eu tenho sempre de saber o que vai acontecer daqui a cinco segundos, posso por favor parar e escutar, observar para entender?
Deveria ser como uma festa em que eu fosse a única pessoa sentada em um sofá, só o que eu pudesse enxegar estaria de fato acontecendo e então o mundo precisaria da minha versão para continuar existindo.
Assim, eu saberia responder a "Feliz ou triste?" como quem responde a "Café ou chá?", com naturalidade e sorrindo; ninguém duvidaria da minha felicidade.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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