sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Bad vibe esse frio que veio do nada - por que ele não veio ontem, quando eu tive que andar pelo Largo da Batata?

Minha casa tem calor específico muito alto, por isso ela ainda está quentinha. Sinto um pouco de calor mas não o suficiente para vencer a minha falta de vontade de tirar o casaco. Minha cabeça está doendo talvez pelo excesso de açúcar: fiz um brownie maravilhoso hoje e parece que a glicose entrou pelos meu nariz e foi direto para o meu cérebro (enquanto a massa girava na batedeira ou quando assava no forno).

O friozinho da manhã realmente me frustrou, um frio úmido que logo virou chuva, quando eu estava dentro do ônibus. Fui correndo até o cursinho mas não adiantou, cheguei lá morrendo congelada e ainda estava vestindo uma regada por baixo da malha de abotoar. Mas este é que é o pior problema, a malha, e ainda de abotoar.

Voltando pra casa a pé, pensei que frio de malha é um dos piores, porque o vento entra pelos espaços da linha e não há lã que consiga menter o calor do corpo. Na verdade, penso nisso sempre que eu saio só de malha no vento (digo, sem nada meio que isolante por cima), me dá a maior raiva.

Ainda falando sobre pensamentos inúteis, hoje no café da manhã não sei por que comecei a lembrar do anti-nominalismo do Alberto Caeiro. Olhei para a embalagem do Nescau (aquela nova horrível, aliás, que, segundo a Paula, parece latinha de bola de tênis) e, acho que por causa do vermelho, lembrei da época em que eu comecei a me viciar em White Stripes, sobre como eu ficava abismada de os títulos das músicas deles serem tão grandes. Eu pensava sobre o motivo que levava a isso, pensava se a idéia de dar títulos era meramente pragmática ou se tinha uma função artística, ou seja, se completava a obra.

Cheguei a pensar em como seria se nenhuma obra do mundo tivesse título, e provavelmente a gente as chamaria por um nome consensual, com certeza por um trecho significativo que indicasse facilmente do que se trata (no caso de um livro, um filme ou uma música com letra) ou por algo que a idenfiticasse claramente (no caso das artes plásticas, por exemplo). É meio isso o que acontece com algumas músicas B side (pensando agora), acho, porque elas nem sempre recebem nomes dos seus autores, já que não serão comercializadas - e aí, sim, podemos pensar em utilitarismo. Tenho baixadas algumas do Franz Ferdinand que receberam como nome as palavras do refrão ou mesmo outras frases emblemáticas que passam pela letra, e, em geral, as indicações são óbvias, os ouvintes acabam se entendendo.

No fim, acho que é um pouco dos dois: os títulos são sistemáticos (como os nomes das pessoas) mas também fazem parte das obras. Um título bom diz muito, um título estilo tese de doutorado (com dois pontos ou travessão) pode salvar ou destruir (nos trabalhos acadêmicos a idéia é enaltecer, claro), um título estúpido também diz muito, podendo desmotivar o interessado em meio segundo. Acontece isso com títulos de filmes, odeio títulos que são muito parecidos com todos os outros, que nunca vão me fazer relacionar o filme àquelas palavras. Normalmente, são cheios de advérbios e substantivos manjados, do tipo O fim do pôr-do-sol, Aquela última dança, Um amor inesquecível, sei lá, inventei tudo agora mas provavelmente devem existir filmes chamados assim.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A minha raiva nos últimos tempos tem me assustado. Por motivos mais sérios, às vezes, mas por motivos completamente banais, em geral. Perder o ônibus (ou entrar em um lotado), respirar poluição e sentir o nariz arder, não conseguir dormir ou não conseguir acordar, as pessoas do cursinho fazendo gestos que me incomodam, entre milhões de outros exemplos, são coisas que me deixam, todos os dias, puta com o mundo.

Fiquei pensando em como seria se, a cada vez que eu sentisse raiva, pudesse bater em alguém, mas isso me deu uma sensação de impotência enorme. Primeiro porque eu tenho nojo do rosto das pessoas, e teria mais ainda dos fluídos que escorreriam dos seus machucados*, embora esse problema se resolva de maneira bem simples na minha cabeça - luvas de boxe, por influência da Paula e do seu trabalho de graduação. Segundo porque o meu próprio eu ri de mim, e assim também riem as pessoas que apanham no meu pensamento, já que eu não tenho força suficiente nem pra bater em um flamingo, um sentimento bem desagradável que me leva de volta ao período de início do meu emagrecimento (antes de emagrecer eu era bem forte, ganhava braço de ferro, escalava, fazia bons arremessos de pivot no handball e as pessoas costumavam me pedir ajuda para abrir vidros ou garrafas, juro).

Minha consciência quis me ajudar me concedendo uma arma, coisa que eu sempre achei muito bonita mas nunca tive coragem de defender nem vontade de ter, pelo mal que ela pode causar para os outros e, claro, para mim mesma. Mas a raiva é tanta que eu comecei a idealizar as balas em forma de ogiva, sonhar com o cano quente soltando fumaça, de modo que ninguém, nunca mais, poderia me fazer sentir raiva outra vez.

A raiva ganha proporções cada vez maiores dentro de mim quando eu penso no revólver que eu ainda vou ter, me imagino de fones e óculos de proteção, fechando um dos olhos bem firme e acertando a circunferência vermelha que contorna a bola branca do centro do alvo. A raiva aumenta com o barulho dos disparos, aperto os lábios e continuo atirando. Depois o alvo deixa de ser um círculo e passa a ser a projeção de uma pessoa feita de madeira, na qual a cabeça é o grande objetivo. Se eu fosse realmente boa, poderia me deitar atrás de trincheiras e objetivar até alvos em movimento. Abaixaria a cabeça com um medo inventado da resposta do inimigo - que não existe mas me faz ter mais raiva ainda.

Quando estou na rua, penso sobre qual seria a reação das pessoas se eu andasse com a minha arma à mostra, e se elas soubessem que eu sou uma exímia atiradora. Fico reconfortada em poder me defender, nas minhas imagens eu atiraria nas pessoas sem o menor pudor, mas sempre com algum motivo. Não olhem mais para as minhas pernas ou para os meus óculos, olhem agora para a minha pistola.

E a ação de recarregá-la. Sentada em uma mesa pública, eu exporia as minhas ogivas cintilantes, apertaria-as com amor, talvez até mesmo fizesse isso em uma biblioteca. As pessoas levantariam os olhos das linhas de palavras ao perceber o som metálico das balas sendo enfiadas, e provavelmente ficariam assustadas ao ouvir o clic-clic (bem de filme) que quer dizer que a arma já está carregada. Eu continuaria a estudar, como se nada tivesse acontecido, com a minha pequena ao lado, talvez até desse um nome pra ela, como eles fazem em Querida Wendy.



*é verdade que eu gosto de pessoas lindas machucadas, mas não das nojentas que eu imagino socar

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Queria entender um pouco mais de química ou medicina ou bio sei lá o que pra saber o que está acontecendo com o meu corpo. Será a falência renal que, segundo a Paula, "tarda mas não falha"? Por falar nisso, acabei de me lembrar de um negócio que eu escrevi no meu diário há mais de um ano, sobre o meu único medo de ficar doente: ter um defeito pra sempre, e eu exemplifiquei com, entre outras coisas, a dependência por hemodiálise.

Mas não vamos ser tão drásticos. Eu só quero descobrir o que me causa uma alergia tão maldita todos os dias, quer isso custe pedras no rim ou não. Já entendi que estou com um problema de bicarbonato de sódio nas células, ou seja, que sai mais hidrogênio delas do que deveria, mas não sei o que acontece por causa disso.

Aparentemente não é big deal, embora eu esteja dando saúde em troca dessa descoberta...

Estou com uma fome boa, daquelas que dá vontade de escovar os dentes. Gostoso dormir com fome, só uma dorzinha bem leve no estômago. Dá sensação de "medida certa" em relação ao peso, por mais que ele não esteja.

Em se tratando de comida, aliás, hoje pensei seriamente em virar vegetariana. Acho muito injusto o que fazem com os animais e tudo, mas isso eu sempre achei e nunca fiz nada porque não conseguia associar o meu hambúrger com o boi pastando na fazenda, o que é culpa - gosto de pensar assim - da vida metropolitana que eu levo. O problema agora foi de nojo, tudo culpa da Hannah, que ficou abalada com a conversa que a gente teve com a Yasmin (recém-adepta do vegetarianismo) sobre o quanto a vaca sofre com a retirada do leite. A Hannah não teve nojo, e sim pena, eu é que fiquei com isso na cabeça por causa do jeito que ela ficou falando (a teta da vaca sangra, e assim por diante).

Fiquei imaginando como é bizarro a gente tomar uma coisa que é fabricada dentro do corpo de um bicho, e não é porque é um bicho (em uma pessoa seria cem vezes mais nojento). Discuti isso com a Nina durante a aula hoje e ela disse que também não consegue associar a comida com os bichos, por isso não vê grande problema em comer carne. Falei que ela precisava me ajudar com essa história do leite, já que ela aaama leite mais que tudo. O que deu errado foi que ela também começou a sentir nojo...

Ficamos hipotetizando sobre como seria se virássemos vegetarianas, pelo que poderíamos substituir a proteína animal. Fiz uma listinha no meu Moleskine

___fontes de proteína não-animal:
- soja (grão)
- barra de proteína
- suco de soja

Soja é nojentíssimo, mas o grão puro é tipo um amendoim, nada de mais. Barra de proteína não é a barra de cereal convencional, é aquela que os atletas comem, com gosto nojento e que não dá nem pra comer de uma vez só de tão 'forte'. Suco de soja eu encararia se fosse preciso, não é tão mau; a Nina fez careta até não poder mais.

Ela puxou o lápis e escreveu na página ao lado

- proteína
- ferro
- cálcio

Sublinhei ferro. Bem importante, ainda mais pra ela, que tem (ou teve, ou tinha) anemia. Cálcio eu já tomo suplemento, mas mesmo assim não posso descuidar de jeito nenhum.

Falamos sobre comidas com carne ou derivados de animais que ainda poderíamos comer, pela precariedade da nossa associação mental

____dá pra comer
- hambúrger
- peito de peru
- mortadela light
- queijos
- bolonhesa

Fiquei com nojinho de leite outra vez, escrevi leite e passei um X por cima. Fiz a mesma coisa com ovo, embora eu ache que um ovo em um bolo ou em um pão também não traga problema.

À tarde, em casa, pesquisei sobre as barras de proteína e não achei nada de muito interessante. Comentei com a Denise a minha mais nova vontade e ela só faltou me bater, fez questão de descrever o meu quadro alimentra problemático dos últimos tempos e nem assim tirou sua atenção do monitor do computador.

Falei que a minha nutricionista disse que, quando eu estivesse boa, poderia me tornar vegetariana, mas ela não acreditou.

Fiquei nesse impasse. Não quis insistir com a Denise, pra não deixá-la triste. E depois até me forcei a tomar um capuccino. Here we go again. Ah, quando eu morar sozinha...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Odeio entrar na nóia "magra da cintura pra cima". Acho que esse é um problema do verão, ou, melhor, do calor.

Mas agora veio a chuva e tudo vai voltar a dar certo.

Não vou me deixar abalar Não vou me deixar abalar Não vou me deixar abalar Não vou me deixar abalar Não vou me deixar abalar Não vou me deixar abalar.

Engraçado como ela ainda conversa comigo às vezes. Do tipo: "se essa calça não entrar, você está fodida". Quando eu estou com mais controle sobre mim mesma, como agora, eu simplesmente respondo "Ah, é? E você vai fazer o quê?" Ela me olha com raiva, cerrando os dentes.

É um jeito bom de dominar uma personalidade invasiva. Mesmo porque agora eu sei que, se eu resolver escutá-la, ela vai começar a mandar em mim de novo. E isso, queridos, não seria uma coisa nem um pouco agradável.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Feriado merecido, e eu resolvi investir no meu intelecto. Hoje, depois do simulado de desenho (técnico) e depois do almoço, decidi que faria bem para o meu intelecto descansar um pouco. Sentei no sofá para ativar a nostalgia com Mulheres Apaixonadas, mas ainda estava passando Jornal Hoje. Achei que o Vale a pena ver de novo fosse logo depois do Jornal Hoje (mas ainda tinha o Vídeo show), então, enquanto isso, ia ficar enrolando.

Peguei um final de Extreme Makeover. Era sobre uma família que morava em uma ex-fazenda (sei lá o que era aquilo, mas era no meio do nada), e uma das duas filhas do casal tinha alergia à luz do Sol. Ou seja, ela tinha que sair na rua completamente coberta, com luvas, chapéu, guarda-sol, e, pensando no bem-estar dela, a equipe de designers fez uma casa inteira anti-UV. Tinha até piscina e áreas de lazer externas! E eles instalaram placas fotovoltáicas para a captação de energia solar, para provar que o Sol também podia ser amigo da Shelby...

Daí descobri que ainda tinha o Vídeo show no meio do meu caminho, então fiquei passando os canais em busca de alguma coisa útil (já que no People and arts tinha começado aquele programa dos motoqueiros). Encontrei um documentário sobre a J. K. Rolling. Achei legal! Mas estou com preguiça de comentar - já discuti isso com a Denise (que assistiu a um pedacinho comigo) e com a Paula (devidamente contextualizada durante o jantar).

Como o meu intelecto não é de ferro, antes de começar a fazer algo realmente produtivo eu estimulei a Denise a me levar na Oscar Freire. Ela concordou porque estava de mal com a vida, com um projeto que não dava certo e blábláblá. Fomos até a Zoomp, que, por estar falindo, me vendeu um jeans baratinho, baratinho. Daí vimos camisolas e quase que mais nada, porque o calor estava caindo matando. Vi um vestido Lacoste lindo que ficou pra próxima.

De volta pra casa, estimulei o meu cérebro lendo uma apostilinha de desenho técnico da mamãe, aí tomei capuccino (graças à dica profissional da Paolinha, agora estou fazendo bebidas com café maravilhosas!!) e mais tarde comecei a assistir clipes com a Paula. Ela me mostrou um muito engraçado do Fatboy Slim (Praise you), um mórbido dos Yeah yeah yeahs (Y-control) e eu mostrei o Cha cha twist (dos Detroit Cobras) pra ela.

A minha vontade era assitir a um filme do Tarantino agora à noite (minha irmã pegou vários DVDs emprestados), mas acabei me empolgando nos Detroit Cobras, comecei a ouvir, entrei no site, li uma biografia e resolvi pesquisar os autores das músicas que eles tocam. Fiquei com preguiça de ler tudo direitinho no allmusic, mas já estou baixando algumas coisas, aparentemente blues roots norte-americanos da metade do século XX. Além disso, apesar de ainda estar cedo, estou morta de sono, o que não me ajudaria a ver um filme.

Vou ver se termino o Eu falar bonito um dia assim que acabar de tocar o álbum do Belle and Sebastian que eu estou ouvindo. Daí já começo um livro novo ainda nesse feriado... Enquanto isso, jogo Block Out.

domingo, 12 de outubro de 2008

A Paula me deu um vidrão de água de palmito, mas ainda não tomei tudo. Será que faz mal? Não sei, muito sal, conservantes... Mas que delícia!

São 15h e até agora ninguém me deu o meu almoço. Simulados me enchendo o saco, preciso estudar física, droga.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Se tem uma coisa que me deixa deprimida é ir ao médico. Ir ao médico quase sempre quer dizer descobrir um problema novo, e isso dá uma tristeza enorme. Por que comigo?, é o que eu fico pensando.

Não que eu tenha nada de muito grave. Aliás, acho que, quando eu descobrir que estou com câncer, eu vou morrer de desgosto, e não da doença.

Parte desse sofrimento é culpa minha, eu sei. Posso estar me vitimizando à toa, também sei disso, mas, afinal, eu não entendo como as pessoas têm auto-controle o suficiente para conseguir não passar o dia inteiro maldizendo a vida.

O Paiva uma vez disse que a vida é uma ladeira (ele desenhou uma ladeira na lousa). Às vezes, de repente, aparece uma pedra que começa a descer a ladeira (desenhou a pedra), e, se você não faz nada para pará-la, ela vai descendo mais rápido, e vai incorporando terra e ficando maior (desenhou uma pedra maior por cima da primeira, com indicações de movimento). Mas é preciso colocar uma barreira e deixar essa pedra para trás, para que você possa continuar percorrendo a ladeira (desenhou um pedaço de pau na frente da pedra). "Alguns encontram essa solução no amor... Outros, nas drogas... E por aí vai."

Quem fala uma coisa dessas pra uma classe de primeiro ano?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Se existe algum meio de se ter dois iPods em um mesmo iTunes, por favor, alguém me explique como se faz. Isso está me deixando impaciente, estou quase chegando à conclusão de que os meus 80 GB de memória portátil nunca serão aproveitados. A não ser que eu arranje um Mac, porque, aí sim, acho que o iTunes trabalha direito.

Apoiei o meu rosto na minha mão esquerda agora e ouvi o tic-tac do meu relógio. Mas acontece que eu não estou usando relógio. Inferno.