Bad vibe esse frio que veio do nada - por que ele não veio ontem, quando eu tive que andar pelo Largo da Batata?
Minha casa tem calor específico muito alto, por isso ela ainda está quentinha. Sinto um pouco de calor mas não o suficiente para vencer a minha falta de vontade de tirar o casaco. Minha cabeça está doendo talvez pelo excesso de açúcar: fiz um brownie maravilhoso hoje e parece que a glicose entrou pelos meu nariz e foi direto para o meu cérebro (enquanto a massa girava na batedeira ou quando assava no forno).
O friozinho da manhã realmente me frustrou, um frio úmido que logo virou chuva, quando eu estava dentro do ônibus. Fui correndo até o cursinho mas não adiantou, cheguei lá morrendo congelada e ainda estava vestindo uma regada por baixo da malha de abotoar. Mas este é que é o pior problema, a malha, e ainda de abotoar.
Voltando pra casa a pé, pensei que frio de malha é um dos piores, porque o vento entra pelos espaços da linha e não há lã que consiga menter o calor do corpo. Na verdade, penso nisso sempre que eu saio só de malha no vento (digo, sem nada meio que isolante por cima), me dá a maior raiva.
Ainda falando sobre pensamentos inúteis, hoje no café da manhã não sei por que comecei a lembrar do anti-nominalismo do Alberto Caeiro. Olhei para a embalagem do Nescau (aquela nova horrível, aliás, que, segundo a Paula, parece latinha de bola de tênis) e, acho que por causa do vermelho, lembrei da época em que eu comecei a me viciar em White Stripes, sobre como eu ficava abismada de os títulos das músicas deles serem tão grandes. Eu pensava sobre o motivo que levava a isso, pensava se a idéia de dar títulos era meramente pragmática ou se tinha uma função artística, ou seja, se completava a obra.
Cheguei a pensar em como seria se nenhuma obra do mundo tivesse título, e provavelmente a gente as chamaria por um nome consensual, com certeza por um trecho significativo que indicasse facilmente do que se trata (no caso de um livro, um filme ou uma música com letra) ou por algo que a idenfiticasse claramente (no caso das artes plásticas, por exemplo). É meio isso o que acontece com algumas músicas B side (pensando agora), acho, porque elas nem sempre recebem nomes dos seus autores, já que não serão comercializadas - e aí, sim, podemos pensar em utilitarismo. Tenho baixadas algumas do Franz Ferdinand que receberam como nome as palavras do refrão ou mesmo outras frases emblemáticas que passam pela letra, e, em geral, as indicações são óbvias, os ouvintes acabam se entendendo.
No fim, acho que é um pouco dos dois: os títulos são sistemáticos (como os nomes das pessoas) mas também fazem parte das obras. Um título bom diz muito, um título estilo tese de doutorado (com dois pontos ou travessão) pode salvar ou destruir (nos trabalhos acadêmicos a idéia é enaltecer, claro), um título estúpido também diz muito, podendo desmotivar o interessado em meio segundo. Acontece isso com títulos de filmes, odeio títulos que são muito parecidos com todos os outros, que nunca vão me fazer relacionar o filme àquelas palavras. Normalmente, são cheios de advérbios e substantivos manjados, do tipo O fim do pôr-do-sol, Aquela última dança, Um amor inesquecível, sei lá, inventei tudo agora mas provavelmente devem existir filmes chamados assim.
