quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Me desculpe. Me desculpe se eu estraguei todos os seus planos. Se eu não fui a pessoa que você esperava que eu fosse. Me desculpe. Me desculpe por ter feito da sua vida algo pior. Me desculpe se eu tenho opiniões que te desagradam, se eu tomei decisões que você considera desprezíveis. Me desculpe se eu não consegui ser tão parecida com você. Me desculpe se eu tenho idéias que falam alto demais, se eu tenho uma tendência niilista no que diz respeito à minha própria vida. Me desculpe se eu não consigo encontrar nada que me dê vontade de viver. Me desculpe. Me desculpe se eu não fui capaz de sentir amor, e poder fazer com que o amor fosse uma coisa boa para mim. Me desculpe se eu não fui capaz de te dar amor. Se eu me importei com muitas outras coisas em vez da sua felicidade. Se eu passei tempo demais chorando. Me desculpe por ter tentado acabar comigo mesma.

Se eu pudesse escolher, teria feito com que muita coisa fosse diferente. Você já me ouviu dizendo mas sei que você não concorda: o problema não sou eu; o problema é o mundo. Ele me impôs condutas deploráveis. Não estou querendo me livrar da culpa, nem quero racionalizar o meu sofrimento. Também sei que eu não estive aberta o suficiente para muitas oportunidades.

Mas, agora, nesse momento, só que eu tenho a fazer é pedir desculpas. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. 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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

'It hurts. It hurts so bad.'

'I like it.'

'Do you like your blood?'

'I like to watch it bleeding.'

'It's beautiful, isn't it?'

'It's so red.'

'It's bleeding.'

'I like it.'

'Maybe this time you got the point.'

'I wanna do that again.'

'Not so fast.'

'I really want to.'

'You gotta take your time.'

'I like it.'

'It's beautiful.'
Você já chorou por alguém que nem existe de verdade?

Ela virou o rosto na minha direção, tentando tampar os olhos enquanto me ouvia, como se se escondesse do sol.

Sei que, nos últimos tempos, tudo tem sido motivo para me deixar triste. A palavra mais bonita. O momento menos silencioso. Comecei a chorar.

Como você pode chorar por alguém que nem existe de verdade?, ela disse, quase rindo.

Eu imagino pessoas e me apaixono por elas.

Ela saiu andando pelo meu quarto e se jogou de costas na minha cama, ainda com as mãos sobre o rosto. Permaneci onde estava.

As lentes dos meus óculos começaram a embaçar. Tirei-os. Voltei a minha atenção a ela. Ela, que havia se tornado um borrão, agora me olhava sorrindo (eu ainda podia identificar o sorriso), esparramada na cama bagunçada, tentando alcançar um travesseiro.

Continuei pensando em mim mesma, no que teria me levado a chorar naquele momento. Ela nunca me entenderia: eu não encontraria meios para me explicar. Ficamos nos encarando por alguns segundos; eu, provavelmente, nítida - ela devia estar enxergando cada uma das minhas lágrimas caindo, as rugas da minha testa se formando e cada fio do meu cabelo se bagunçando enquanto eu abaixava a cabeça, tentando conter o choro.

Me admirava que ela não fizesse nada. Que não tentasse me fazer parar de chorar, ou que não me perguntasse o que havia de errado comigo. Ela só sorria. Sorria e me olhava.

Talvez ela só estivesse pensando em outra coisa qualquer. Talvez nem percebesse a minha presença. Então, eu não constituiria um corpo vivo, mas um objeto qualquer.