Às vezes odeio o jeito como eu sou metódica demais. Então eu digo para mim mesma Chega.
Arrumando o meu quarto nos últimos dias, por exemplo, tive que colocar os casacos no armário em uma ordem especificamente trabalhosa (primeiro os casacos de inverno, depois as capas com tecidos semelhantes, então as jaquetas com cortes parecidos aos do grupo anterior, as malhas que mais se parecessem com as jaquetas e aí sim os moletons, respeitando a uma ordem lógica que mistura auto-biografia com cores, texturas e capacidade térmica). Pensei: Como seria bom se eu tivesse todas as minhas roupas catalogadas em um programa de computador, como em uma biblioteca!
Mas falei Chega antes que fosse tarde demais, enganei a mim mesma com a desculpa de que eu não tenho tantas roupas assim, a ponto de elas precisarem ser catalogadas. Mas se um dia eu tiver um closet lotado...
Pensei o mesmo para os livros, infelizmente, e para todos os papéis que eu quero guardar mas não vou saber achar com facilidade. Que tal um arquivo imenso com pastas datadas, organizadas em seqüência alfabética?
Se um dia eu tiver a minha própria casa, sei que a organização vai chegar a ser irritante. Tenho pena daqueles que vierem a morar comigo (marido? filhos?), vão sofrer diariamente. Nada, jamais, ficará fora do seu lugar. A idéia da catalogação poderá se expandir para a casa inteira: cozinha, banheiro, sala. Será o ctrl+F da minha vida. E cada situação cotidiana exigirá novos catálogos eletrônicos, do tipo fazer uma mala, fazer uma lista de supermercado.
Me dá um pouco de agonia pensar nisso, mas me faz feliz pensar no trabalho que ia ser poupado em procurar e guardar coisas. Talvez eu termine com um caso de TOC agudo, mas por enquanto gritar Chega para dentro do meu cérebro ainda consegue me ajudar.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
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