quarta-feira, 11 de julho de 2012

diário de viagem

Faltava alguma coisa amável naquilo tudo. Não, não que eu quisesse amor - eu já tinha decidido que eu não queria. Mas também não queria deixar de me sentir como uma pessoa. E isso me levou a pensar no que realmente é o amor, e por que precisamos que ele exista.

Quer dizer, precisamos? Eu acredito que sim. E acho que isso faz de mim humana (não essa crença, mas a necessidade do amor). Então, se não existisse amor - ou se simplesmente não fôssemos (ou se não pudéssemos) ser capazes de senti-lo -, seríamos menos humanos. Menos sentimentais; mais objetivos, mais práticos e mecânicos.

Fico pensando em tudo o que eu arrancaria da minha vida que pudesse ser guardado dentro de uma caixa que trouxesse a palavra AMOR gravada na tampa, e cada uma delas perpassa por emoções muito fortes, que me abalam muito.

Odeio a sensação de estar misturando sexo com amor. Mas, mais ainda, de confundir amor com vitória. Amor não é uma conquista; não é ruim não ser amado por ninguém, assim como não é necessariamente bom ser amado por alguém. Na minha cabeça, sexo é uma conquista. E, se as pessoas não misturassem sexo com amor, poderiam ter vidas amorosas mais tranquilas e vidas sexuais mais agitadas.

Sexo é instintivo. Uma atração é inexplicável; conseguir fazer atrair é animal. Mas nem sempre nos deixamos atrair porque costumamos querer enxergar algo que se relacione a amor – ou à falta dele.


diário de viagem

Muitos pensamentos correndo. É uma sala grande, um pátio, e eles tropeçam uns nos outros tentando se mexer. Não pedem desculpas, nem se importam em exigir desculpas. Atropelam-se. Uns caem no chão e outros passam por cima. Todos parecem ser iguais, mas, não se sabe por que, nem todos caem. E nem todos passam por cima. Quase nenhum oferece ajuda para levantar.

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Odeio as frases que ficam presas na minha cabeça. Gosto mais das imagens, que aparecem para mim de repente. Um quarto escuro na madrugada de Berlin, ela sentada sobre as minhas costelas me olhando e sorrindo.

O calor de um corpo quente e

"Oh fuck."

"Are you in a relationship?"

Uma cabeça deitada no meu colo. No táxi, é de manhã mas o sol ainda vai demorar para surgir no horizonte. Coloco as minhas mãos sobre o rosto dela. Melhor: uma das mãos. A outra fica no seu cabelo. Eu gosto de cabelos.

"You've got such an amazing kiss!" (...) "I have the perfect amount of fat. Look. I'll show you."

Abaixo a minha cabeça para chegar perto da dela, dobrando as minhas costas. Isso provavelmente machuca a minha coluna, mas eu não estou sentindo. Um beijo no rosto. As mãos dela por trás da minha cabeça. A boca dela cheira a cigarros. Eu adoro isso. Todas as garotas mais especiais, elas foram sempre fumantes? Pensando agora, acho que sim. Não; tenho certeza de que sim.

O cheiro do cigarro traz uma lembrança boa. É uma sinestesia, eu acho. Minha cabeça associou o cheiro a uma sensação agradável. O cheiro e o gosto. Gosto de sentir gosto de cerveja na boca dos outros.

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