Um amor platônico é jogar na mega sena; um amor real é investir na bolsa. Qual a chance de ganhar na mega sena? E qual a chance de ganhar jogando na bolsa? Aí você me diz 'Joguei na mega sena duas vezes, três vezes e nunca ganhei'. Mas você já jogou na bolsa? Tem gente que passa a vida inteira jogando na mega sena e nunca ganha. Agora você vai deixar de jogar na bolsa porque nunca ganhou na mega sena? Isso não tem sentido.
Ter um amor platônico é como concorrer na mega sena com um número inventado, por exemplo, escrever em um papel o número 300 e achar que está concorrendo. Qual é a chance de ganhar? Bom, não é impossível, afinal, alguém pode enfiar uma bola com o número 300 na roleta. É só improvável.
Você deixaria de se apaixonar por uma pessoa só porque ela mora na Granja Viana? Quando você está interessado em alguém, nada é esforço. Emocionalmente. Ou, se alguém estiver interessado em você e você não for encontrar com essa pessoa na Barra Funda, ela não vai deixar de continuar interessada em você. Você pode até não querer se esforçar, mas, se a outra pessoa quiser, as coisas vão acontecer.
sábado, 25 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Muitos trabalhos acumulados, a chuva e a vontade ininfinita de sair de casa.
Apesar de tudo, eu continuo apaixonada. Essa é exatamente a hora em que tomar um porre seria um presente merecido, cada segundo de tontura - da boa e da até da ruim, no dia seguinte - me fazendo uma pessoa melhor.
Chorar, talvez. Encostar em alguém, mesmo que para ser empurrada depois. Deixar de ter sonhos ruins por alguns dias (ou mesmo sonhos bons, porque eles viram problemas quando terminam).
Eu continuo apaixonada por coisas que não existem e pessoas que eu criei, sinto saudades de situações inventadas que confundem as minhas lembranças. Vejo o futuro como uma grade de horários, o que é preocupante quando se tem mais atividades do que tempo para realizá-las - alguém poderia me contar quando eu vou morrer, assim eu me programaria melhor até o meu último dia.
As sensações reais são tijolos caindo sobre cabeças; os meus pensamentos são travesseiros de pluma que nunca saem de uma cama grande com lençóis cor de creme. Minhas idéias são imagens inalcansáveis e extremamente bem elaboradas, fico pensando no que os outros sentiriam se pudessem ver com os meus olhos.
Andar com os meus pés, mastigar com os meus dentes e dormir com os meus sonhos. Se alguém sobreviveria se extivesse apaixonado por tudo o que me comove, fico pensando se alguém tivesse que ser eu, se chegaria ao final do dia.
Não porque seja ruim ser eu, mas só porque às vezes me sinto tão diferente das outras pessoas que acho que elas não se acostumariam em ser eu.
As imagens que existem dentro de mim são lindas, e eu queria poder compartilhá-las com alguém. Isso incluiria ter uma pessoa ocupando o mesmo corpo que eu por alguns instantes - o que eu estaria fazendo, então? Estaríamos assistindo juntos? Ou eu estaria em outro lugar, fora do meu corpo, morta enquanto não pudesse voltar para dentro de mim?
Minhas imagens são minhas não só porque pertencem a mim, mas porque foram criadas por mim. Eu as desenvolvi durante anos, aperfeiçoei detalhes, trabalhei nelas mais do que jamais me dediquei a qualquer outra coisa. Elas estão na minha biblioteca pessoal; são perfeitas para quando eu estou triste ou inspirada demais. E em geral acabo sempre fazendo mudanças, é como assistir a um filme em que se pudessse trocar as cenas de ordem, alterar o comportamento das personagens, os cenários e quase todo o resto.
Apesar de tudo, eu continuo apaixonada. Essa é exatamente a hora em que tomar um porre seria um presente merecido, cada segundo de tontura - da boa e da até da ruim, no dia seguinte - me fazendo uma pessoa melhor.
Chorar, talvez. Encostar em alguém, mesmo que para ser empurrada depois. Deixar de ter sonhos ruins por alguns dias (ou mesmo sonhos bons, porque eles viram problemas quando terminam).
Eu continuo apaixonada por coisas que não existem e pessoas que eu criei, sinto saudades de situações inventadas que confundem as minhas lembranças. Vejo o futuro como uma grade de horários, o que é preocupante quando se tem mais atividades do que tempo para realizá-las - alguém poderia me contar quando eu vou morrer, assim eu me programaria melhor até o meu último dia.
As sensações reais são tijolos caindo sobre cabeças; os meus pensamentos são travesseiros de pluma que nunca saem de uma cama grande com lençóis cor de creme. Minhas idéias são imagens inalcansáveis e extremamente bem elaboradas, fico pensando no que os outros sentiriam se pudessem ver com os meus olhos.
Andar com os meus pés, mastigar com os meus dentes e dormir com os meus sonhos. Se alguém sobreviveria se extivesse apaixonado por tudo o que me comove, fico pensando se alguém tivesse que ser eu, se chegaria ao final do dia.
Não porque seja ruim ser eu, mas só porque às vezes me sinto tão diferente das outras pessoas que acho que elas não se acostumariam em ser eu.
As imagens que existem dentro de mim são lindas, e eu queria poder compartilhá-las com alguém. Isso incluiria ter uma pessoa ocupando o mesmo corpo que eu por alguns instantes - o que eu estaria fazendo, então? Estaríamos assistindo juntos? Ou eu estaria em outro lugar, fora do meu corpo, morta enquanto não pudesse voltar para dentro de mim?
Minhas imagens são minhas não só porque pertencem a mim, mas porque foram criadas por mim. Eu as desenvolvi durante anos, aperfeiçoei detalhes, trabalhei nelas mais do que jamais me dediquei a qualquer outra coisa. Elas estão na minha biblioteca pessoal; são perfeitas para quando eu estou triste ou inspirada demais. E em geral acabo sempre fazendo mudanças, é como assistir a um filme em que se pudessse trocar as cenas de ordem, alterar o comportamento das personagens, os cenários e quase todo o resto.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Outro dia, no final da tarde, andando até o ponto de ônibus, reparei que todos os motoristas dos carros que vinham da Sumaré, quando faziam a curva para entrar na Henrique Schaumann, abaixavam a aba de proteção solar em direção ao pára-brisas. Fiquei achando isso engraçado enquanto esperava para atravessar a rua - por que todos eles faziam o mesmo gesto exatamente no mesmo ponto do percurso? Até que eu reparei que, bem ali, vinha um sol laranja do lado oposto (se tudo faz sentido, de noroeste), ofuscando os olhos de cada um deles: primeiro eles franziam a testa e fechavam os olhos, depois abaixavam a aba.
Achei chato quando eu descobri o motivo; seria muito mais legal que, sem nenhuma explicação, as pessoas decidissem abaixar a aba de proteção solar no mesmo lugar.
Imaginei um filme daquela situação, carro por carro, aba por aba, o sol laranja batendo nos pára-brisas, ficaria bonito. Ainda mais porque aquela parte da rua é uma subida em curva aberta, o que dá um movimento suave para os carros, que têm de vir com uma velocidade menor do que a com que andavam na Sumaré mas mais rápido do que eles precisam para percorrer o final da Henrique Schaumann - em uma palavra, desacelerando.
Podiam ser só slides da cena, ou um filme bem antigo (embora colorido) daqueles em que os movimentos saem entrecortados.
Achei chato quando eu descobri o motivo; seria muito mais legal que, sem nenhuma explicação, as pessoas decidissem abaixar a aba de proteção solar no mesmo lugar.
Imaginei um filme daquela situação, carro por carro, aba por aba, o sol laranja batendo nos pára-brisas, ficaria bonito. Ainda mais porque aquela parte da rua é uma subida em curva aberta, o que dá um movimento suave para os carros, que têm de vir com uma velocidade menor do que a com que andavam na Sumaré mas mais rápido do que eles precisam para percorrer o final da Henrique Schaumann - em uma palavra, desacelerando.
Podiam ser só slides da cena, ou um filme bem antigo (embora colorido) daqueles em que os movimentos saem entrecortados.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Chega a ser engraçado como eu acho que eu sou uma pessoa calma, centrada, objetiva, metódica, e ao mesmo tempo posso ser tão facilmente abalada. Me vejo em pé, parada, e, de repente, é como uma rajada de vento me empurasse de leve. Eu não cairia se não estivesse bem em cima de um precipício (sobre uma plataforma circular do tamanho dos meus pés, que estaria flutuando no ar).
No começo, me assusto e percebo que não vai ser possível evitar a queda - aqueles dois milésimos de segundo em que conseguimos pensar em dez milhões de coisas. Minha cabeça enquenta, talvez a minha última sensação da vida. Logo depois, quando eu já estou caindo, não acho mais a idéia tão ruim. Sinto o vento corroendo as minhas bochechas, minhas roupas congelam por causa da velocidade da queda.
Percebo que eu estou viva. Eu estou viva, caindo, mas viva. Apesar de tudo, muito melhor do que antes, no pedestal; eu não sentia nada, nem mesmo sabia que tinha um precipício debaixo de mim.
Continuo caindo, começo a achar engraçado, fico rindo até não poder mais. Às vezes a queda existe durante horas, às vezes só por alguns instantes vazios. O tempo certo é enquanto eu estiver rindo. Quando terminar de rir, o ideal é que eu comece a descair de volta para o pedestal; senão, começo a chorar e, na maioria das vezes, acabo chegando até o chão.
No começo, me assusto e percebo que não vai ser possível evitar a queda - aqueles dois milésimos de segundo em que conseguimos pensar em dez milhões de coisas. Minha cabeça enquenta, talvez a minha última sensação da vida. Logo depois, quando eu já estou caindo, não acho mais a idéia tão ruim. Sinto o vento corroendo as minhas bochechas, minhas roupas congelam por causa da velocidade da queda.
Percebo que eu estou viva. Eu estou viva, caindo, mas viva. Apesar de tudo, muito melhor do que antes, no pedestal; eu não sentia nada, nem mesmo sabia que tinha um precipício debaixo de mim.
Continuo caindo, começo a achar engraçado, fico rindo até não poder mais. Às vezes a queda existe durante horas, às vezes só por alguns instantes vazios. O tempo certo é enquanto eu estiver rindo. Quando terminar de rir, o ideal é que eu comece a descair de volta para o pedestal; senão, começo a chorar e, na maioria das vezes, acabo chegando até o chão.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Eu tinha alguma coisa para falar que não tinha nada a ver com a minha melancolia dos últimos dias, nem com a sensação horrível de protetor solar depois de ter tomado sol que tem estado constantemente impregnada no meu corpo.
Eu não queria falar que eu não agüentava mais fazer aula de autoescola e que finalmente elas terminaram hoje, também não queria dizer que a minha prova prática cai justo no dia 13.
Não teria a menor utilidade dizer que eu pretendo ler A era dos extremos durante a semana santa, nem que eu sonhei que eu tinha terminado de ler Ana Karênina, nem que eu preciso passar no xerox hoje antes da aula, nem que a usp me deu um cano e eu preciso ligar pra eles e mandar alguém arrumar o meu bilhete único (que ainda nem existe).
Eu não queria falar sobre a minha dor de cabeça, porque ninguém mais deve agüentar me ouvir falando disso, e eu também não agüento mais a dor de cabeça, então, quanto menos eu falar dela, mais longe de mim ela vai ficar.
Não queria falar nenhuma dessas coisas, e não tenho melhores para falar (a não ser aquela que eu não lembro qual é).
O que vocês estão planejando para a Páscoa? Eu queria chocolates artesanais ou chiques, amanhã vou providenciar isso com a Denise. Não queria gastar todo o dinheiro do mundo e ao mesmo tempo não queria comer chocolate com gosto de parafina - fiquei meio maníaca depois que li ontem no caderno Paladar sobre a maior degustadora de chocolate of all times (Chloe Doutre-Roussel). Chocolate é a minha comida preferida e, de acordo com a matéria, eu nunca comi um chcolate de primeira qualidade. Então entrei google atrás das melhores marcas, indicadas por ela. Alguns não são caros, acreditem, tem uma loja lindinha americana com barras de tamanho razoável por 8 dólares. Mas, em compensação, vi uma francesa que vendia 250g de chocolate por 24 euros.
Resolvi que, se é para sustentar um vício, que seja com elegância. Quando eu ganhar meu próprio dinheiro, também vou querer ser uma verdadeira apreciadora (não uma especialista, é claro, porque isso definitivamente não é o que eu quero da minha vida, e provavelmente um trabalho assim desbalancearia toda a minha alimentação). Isso exige muito dinheiro, é claro, porque aqui no Brasil a gente não encontra nada muito melhor do que Lindt (o marco zero na escala da moça).
Guardei o pedaço de jornal e fiquei sonhando com uma Páscoa de primeira qualidade. Depois lembrei dos chocolates maravilhosos que a Nina e a Maia trouxeram de Paris. Eram realmente deliciosos, preciso perguntar qual era o nome da marca, vai ver eu já comi um chocolate de excelência e nem estava sabendo.
Tudo isso acabou de me lembrar que outro dia me deu a maior vontade de fazer um bate-volta em algum país da América Latina só para passar pelo free-shop. Chocolates, seria mais um bom motivo. Fora a maquiagem e os óculos que já estavam nos meus planos. E a viagem em si também seria uma boa idéia. Uns quatro dias longe daqui seriam suficientes.
Eu não queria falar que eu não agüentava mais fazer aula de autoescola e que finalmente elas terminaram hoje, também não queria dizer que a minha prova prática cai justo no dia 13.
Não teria a menor utilidade dizer que eu pretendo ler A era dos extremos durante a semana santa, nem que eu sonhei que eu tinha terminado de ler Ana Karênina, nem que eu preciso passar no xerox hoje antes da aula, nem que a usp me deu um cano e eu preciso ligar pra eles e mandar alguém arrumar o meu bilhete único (que ainda nem existe).
Eu não queria falar sobre a minha dor de cabeça, porque ninguém mais deve agüentar me ouvir falando disso, e eu também não agüento mais a dor de cabeça, então, quanto menos eu falar dela, mais longe de mim ela vai ficar.
Não queria falar nenhuma dessas coisas, e não tenho melhores para falar (a não ser aquela que eu não lembro qual é).
O que vocês estão planejando para a Páscoa? Eu queria chocolates artesanais ou chiques, amanhã vou providenciar isso com a Denise. Não queria gastar todo o dinheiro do mundo e ao mesmo tempo não queria comer chocolate com gosto de parafina - fiquei meio maníaca depois que li ontem no caderno Paladar sobre a maior degustadora de chocolate of all times (Chloe Doutre-Roussel). Chocolate é a minha comida preferida e, de acordo com a matéria, eu nunca comi um chcolate de primeira qualidade. Então entrei google atrás das melhores marcas, indicadas por ela. Alguns não são caros, acreditem, tem uma loja lindinha americana com barras de tamanho razoável por 8 dólares. Mas, em compensação, vi uma francesa que vendia 250g de chocolate por 24 euros.
Resolvi que, se é para sustentar um vício, que seja com elegância. Quando eu ganhar meu próprio dinheiro, também vou querer ser uma verdadeira apreciadora (não uma especialista, é claro, porque isso definitivamente não é o que eu quero da minha vida, e provavelmente um trabalho assim desbalancearia toda a minha alimentação). Isso exige muito dinheiro, é claro, porque aqui no Brasil a gente não encontra nada muito melhor do que Lindt (o marco zero na escala da moça).
Guardei o pedaço de jornal e fiquei sonhando com uma Páscoa de primeira qualidade. Depois lembrei dos chocolates maravilhosos que a Nina e a Maia trouxeram de Paris. Eram realmente deliciosos, preciso perguntar qual era o nome da marca, vai ver eu já comi um chocolate de excelência e nem estava sabendo.
Tudo isso acabou de me lembrar que outro dia me deu a maior vontade de fazer um bate-volta em algum país da América Latina só para passar pelo free-shop. Chocolates, seria mais um bom motivo. Fora a maquiagem e os óculos que já estavam nos meus planos. E a viagem em si também seria uma boa idéia. Uns quatro dias longe daqui seriam suficientes.
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