quinta-feira, 26 de junho de 2008

Duas meias-calça por baixo da calça.

Andei pensando e descobri que, se eu ainda estudasse no Santa, eu já estaria de férias, mesmo tendo pegado recuperação.

Maior maldade fazer o pessoal acordar tão cedo em pleno final de junho. E andar no frio, pegar ônibus lotado, sentar em sala auditório e ouvir, anotar, engordar, ver o cabelo estragar (além de frio é úmido), ter que colocar um casaco em cima do outro até inflar ('cause you can't afford a blazer, girl you're always wearing clogs) e esse negócio todo.

Tive que tirar umas fotos pra Paula agora há pouco, ela me obrigou a vestir um troço de tule creme sem nada por baixo ("Você não liga de pagar peitinho, né?" "Mas está muito frio pra pagar peitinho!").

Simulado sábado, mais uma manhã fria fora da cama, me pergunto por que eu estou fazendo isso, afinal, eu nem tenho idéia de onde eu quero chegar.

A Denise diz sempre "não inventa", mas acho que ela nunca teve dúvidas sobre onde ela queria chegar, e também se acostumou rápido a se contentar com pouco.

Sou uma pessoa exigente, acho, e soa pretencioso alguém que não tem nada falar uma coisa dessas, assim como soa pretencioso acreditar que para os nossos pais tudo sempre foi mais fácil. Melhor mesmo seria se eles deixassem as coisas transparecerem. E provassem que são pessoas.

Enfim, chega, sem mais crises imbecis de adolescente imbecil (que é o que eu sou mas nem por isso preciso ficar provando).
Na pilha. Meu maxilar meio que se mexendo sozinho. Mas ok, acho que é psicológico.

Dormi à tarde porque estava com frio e sem vontade de nada. E tive um pesadelo horrível em que eu era meio que esquizofrênica, por que os sonos da tarde são sempre ruins? Chegou naquele ponto em que eu, no sonho, sabia que precisava acordar mas não conseguia, e as coisas ficavam rodando, eu entrava dentro de um jogo de videogame e ia me machucando toda (a segunda vez que entrei em um jogo de videogame em um sonho em muito pouco tempo).

Daí acordei com raiva, dor de cabeça e um mal-estar pontiagudo, tentei estudar mas no lugar disso fiquei desenhando letras. Fiquei pensando na Meg e em coisas bad, pensei nas pessoas e nos relacionamentos que elas têm umas com as outras. Pensei nas dezenas de ex-namorados que eu conheço que nem se falam mais. Não é estranho gostar muito de uma pessoa, vê-la todo dia e depois só conversar com ela muito de vez em quando? Estranho porque não costuma ser uma coisa que acontece com outros tipos de relacionamento, não é?

Do tipo: você briga com o seu irmão e dali em diante vocês nunca mais combinam de se encontrar, nem vão mais um na casa do outro ou fazem coisas juntos que gostavam de fazer antes. Muito estranho, acho que, se o cara for o seu irmão, ou você briga briga com ele, e vocês nunca mais se falam, ou vocês vão ter uma relação constante para sempre, não importa o que aconteça. O mesmo vale para um amigo, acho.

Daí me veio isso na cabeça:

Pela primeira vez na vida, me perguntei se a vida valia todo o esforço necessário para se viver. O que, exatamente, fazia a vida valer a pena? O que há de tão horrível em permanecer morto para sempre, não sentindo nada e nem mesmo sonhando? O que há de tão especial em sentir e sonhar?

(que é Jonathan Safran Foer).

Isso consegue me deixar realmente triste. E acho particularmente legal que um menino de oito anos (o Oskar, de Extremamente alto & incrivelmente perto) possa pensar em uma coisa dessas. Com essa idade eu não me preocupava com o futuro. Ou talvez até me preocupasse, mas tinha muita esperança e muito pouca ansiedade. Nunca havia parado para pensar, como o Oskar, que as coisas podiam dar errado. Ok, talvez, se eu tivesse perdido uma pessoa tão importante para mim como o pai dele era para ele, eu tivesse feito reflexões diferentes. Não, acho que nem assim. Não mesmo.

Enfim, nada a ver com nada, mas ontem eu fiquei pensando que o fato de eu só fazer coisas para mim mesma, ou seja, para o meu próprio benefício, é o que pode estar estragando a minha vida. Pensei na Nina e em uma conversa que eu, ela e a Mari R tivemos mais ou menos sobre isso outro dia, sobre se alguém é capaz de fazer alguma coisa pensando só em outras pessoas. Quase chegamos à conclusão de que isso é impossível, porque, ao fazer o bem para os outros, em última análise o que você quer é se sentir bem com você mesmo. Acho que esse é mais ou menos o princípio da caridade ou de qualquer ação social, mas talvez fazer o bem para os outros, mesmo sendo com a intenção inconsciente de se atingir o bem-estar pessoal, possa fazer melhor do que o bem-estar pessoal propriamente dito.

Fico com medo de que os objetivos que eu tenho para a minha vida sejam egoístas demais e que, ao final - se é que eles se realizarão -, não tenham me levado a lugar nenhum. Vou ficar muito triste se eu chegar ao meu último dia e perceber que eu não fiz nada do que eu gostaria, mesmo se for por eu não ter conseguido fazê-lo, mas vou ficar mais triste ainda se eu tiver feito as coisas erradas, o que inclui as escolhas erradas, o que inclui ter pensando muito em mim e pouco em coisas ao meu redor que talvez merecessem mais do meu tempo ou da minha disponibilidade.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Denise vai me deixar fazer curso de desenho por recomendação psiquiátrica. Hahahaha, como eu sou trash... Olha que daqui a pouco eu vou parar no rehab!

Nada de estudos, muito de nada, de música, de tentativas de desenho e blábláblá. Mas to nem aí, não quero falar de mim.

Começou a tocar Australia (Kinks) e eu lembrei da piada do Gugu: "se a Austrália ficasse no norte, como ia se chamar? BORÉLIA!"

Paula chegou - com livro do Freud - me expulsando. Legal, vou ler Freud, faz bem para o espírito crítico. E ainda ganho dinheiro para atualizar a minha consciência pensante! Afinal, o trabalho enobrece o homem... Nem sei mais o que eu estou falando. Melhor ir. bojthcua

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A porra do site da Casa do Artista simplesmente não mostra nenhum caderno!! Resolvi que eu preciso de um caderno, porque passo vergonha com o meu caderno de quinta, e, como a Denise me perguntou se eu já tenho um diário de viagem, resolvi me aproveitar. Então vou fazer com que ela me leve amanhã para comprar um novo, bem lindo. Pensei em um caderno branco de capa dura, tamanho A5, de 200 folhas e provavelmente sem pauta. Acho meio estranho escrever sem linhas, mesmo porque eu sou torta, mas isso tem seu lado positivo. Ainda mais agora eu eu estou querendo começar a desenhar. Se bem que os desenhos ficam legais por cima das linhas. Ok, raciocínio fragmentado, mas, como me disse o Maurício na sexta passada, isso não é importa, porque a vida é feita de coisas fragmentadas - ou coisa que o valha.

Na verdade acho que tudo foi uma confluência de idéias, porque, apesar da Denise ter falado esse negócio do diário de bordo só hoje, ontem eu já tinha ficado encantada com o livro de visitas do Tomie Othake (que era A3 e tinha umas 400 folhas, mas era exatamente do jeito que eu acabei de descrever). Olhei para ele e gritei Eu quero um caderno desses! Me dá? A Paula riu e sugeriu que eu escrevesse isso embaixo das assinaturas das pessoas. Eu escrevi. E fiquei achando isso tudo legal, porque geralmente esses livros têm espaço delimitado para escrever, tipo uma tabela em que você coloca NOME CIDADE/ESTADO E-MAIL e vai embora. Esse, além de não ter a tabela, não tinha liiinhas! Ok, as pessoas nem sempre respeitam as linhas (escrevem poemas trash ou comentários ridículos), mas é mais legal a idéia de ser tudo branco.

Por falar nisso, eu tenho gostado muito das coisas em branco, tenho tido vontade de só olhar para coisas brancas, uma sala branca com mesa branca, quadros pintados em branco, tudo branco. Meio apple, talvez. Roupas brancas, meias, camisas, calças e camisetas, sapatos brancos sem um único arranhão. Tudo lindo, não como nos hospitais, de tecido poliéster, mas como nos filmes bonitos de lençóis de linho, tenho a maior vontade de lençóis de linho branco bem geladinhos, com uma pessoa muito branca ao meu lado, braços tinindo de brancos, os lábios quase sem cor como os de um doente, os cabelos contrastando, não importa se forem castanhos, pretos ou até ruivos - os loiros não contrastariam tanto quanto o necessário.

Acho que tem a ver com limpeza, o que é uma merda. É preciso ser muito limpo para se usar branco. A Paula me deixou com essa nóia imbecil de limpeza.

Fico pensando no cursinho, na apostila aberta em cima da mesa. Uma coisa. De novo eu digo que eu poderia estar fazendo algo de útil, mas, não, eu estou gastando o meu tempo com preocupações. Pelo menos eu estou ouvindo música enquanto me preocupo. E escrevendo aqui, se é que alguém merece a metalinguagem. Conversar com o leitor é metalinguagem? Porra, queria conseguir me desligar do vestibular por pelo menos um segundo de 2008.

Vestibular inútil, aliás. Nem sei o que eu quero. Se eu quero.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Não conseguia mais entender o que eu queria com ela. Seria suficiente passar horas ao seu lado sem falar nada, sem nem ao menos tocá-la. Não precisaria sequer olhá-la, acredito que a sua presença já faria com que eu me sentisse bem. Também seria inútil ouvir a sua voz - mesmo porque tenho certeza de que ela não falaria absolutamente nada se me encontrasse novamente.

Adorable illusion and I cannot hide
I'm the one you're using, please don't push me aside

Em algum momento ela começou a vomitar, já estava quase amanhecendo, segurei seu pescoço e coloquei-a contra a parede. Ela disse Agora você é minha, minha felicidade me faz até chorar. Respondi Me pergunte por que, e eu te direi que eu te amo e que estou sempre pensando em você, que era o refrão da música que ela estava citando.

I went to my mama
I said Mama, please
What do you do when your true love leaves?
She said The hardest thing in the world to do
Is to find somebody
Believes in you

Ela percebeu que não estava sendo seguida, virou a cabeça para trás, na minha direção, e fez um gesto com as mãos que, combinado ao seu olhar e ao seu sorriso bucólico, denunciava o seu amor. Fui de encontro a ela, toquei seus ombros e ela começou a subir os degraus. Subimos dois lances de uma escada de mármore branco, e fomos dar em um corredor mal iluminado. Ela acendeu um abajur, encarou-me e disse Quero te mostrar uma coisa.

She gave orders to spill my blood.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Preguiiça de post. Nem sei.

Tantas coisas que eu gostaria de estar fazendo, e tudo o que eu consigo sentir é culpa por não estar estudando.

Papéis a imprimir (há horas). Duvido que eu tenha alguma chance. Mas não dá mais, nada do que existe aqui me interessa.

Descobri que, se a sua família ganha menos de 60 mil dólares por ano, você não paga Harvard. Uma loucura, porque aqui quem ganha esse dinheiro em geral tem uma vida boa, cheia de coisas materiais.

Paula chegou. Vou falar com ela e tentar estudar.
Quem vota para que eu comece a passar o endereço deste blog para as pessoas?

Só porque comentários podem ser divertidos... E porque é estranho não escrever para ninguém, e ao mesmo tempo deixar de escrever qualquer coisa, afinal, estamos (in fact, acho que eu estou sozinha) na internet.

Minha cabeça está doendo de um jeito estranho. Dói muito virar os olhos. E pensar na minha testa.

Olhando os papéis (ou os sites em PDF que se tornarão, um dia, papéis) de Harvard. Sim, eu disse Harvard. Não é pouca coisa, bro. E aproveitando para dar uma olhada também nos de Berkeley, e vou ver - já que é pra ver né - os de Yale e também Michigan. Anything else?