O calor me faz ficar sentada na frente do computador sem roupas e me deixa com a cabeça martelando constantemente.
Não tem tanto problema fazer calor na rua, à noite é até agradável, sair sem casaco e tudo, mas dentro de casa?
Fui olhar o calendário da Fuvest - just in case - e, no site, acabei encontrando a nova lista de livros para o vestibular de 2010. Saem Sagarana, Poesia completa de Alberto Caeiro e A rosa do povo para entrar O cortiço (que emoção!), Capitães da areia (essa eu confesso que não entendi) e Antologia poética do Vinícius de Moraes (interessante, né?).
Achei meio idiota eles continuarem com muita coisa igualzinha ao que está há três anos, tipo Iracema (alguém ainda agüenta?), A cidade e as serras (também já deu, meu príncipe) e O auto da barca do Inferno (esse é eterno), e eles podiam ter colocado, sei lá, um Quincas Borba ao invés de Dom Casmurro, algum outro do Graciliano Ramos, só pra mudar, mesmo. E, se precisa tanto assim do José de Alencar, podiam pelo menos arriscar O guarani...
Se vestibular só é do jeito que é porque existem os cursinhos, então fica fácil de entender. Afinal, imagina se aquele cara que está prestando medicina, há três anos no cursinho, tivesse que ler outros livros, e ter todo o trabalho de aprender tudo o que está por trás de várias outras obras? Isso privilegia quem está no cursinho, enfiado nessa indústria de pragmatismo que, por pior que seja, funciona. No fim, não entram os melhores alunos, mas os que têm mais conhecimento da prova, quem estudou mais ou já tem idéia do modelo de correção, das expectativas da banca examinadora.
Fico pensando até que ponto as faculdades têm os cursinhos como entraves burocráticos, e eu não duvidaria se alguém me dissesse que essa relação é uma verdadeira máfia, com troca de favores e gente sendo ameaçada de morte. Se uma instituição forte como a Fuvest resolvesse, de uma hora para outra, mudar o sistema de ingresso na faculdade (no caso, na USP, a melhor universidade do país), os cursinhos acabariam, e isso, com certeza, traria muitos problemas, não só econômicos, mas também sociais, já que o Brasil tem o vestibular como algo muito consolidado.
Como será que vai ser na geração dos meus filhos? Se a população continuar crescendo até 2050 (ou 2030, não importa) e o número de vagas não aumentar (e não vai mesmo, todo o mundo sabe), a concorrência vai fazer com que o comércio de almas se torne uma prática comum. Não gosto de pensar nisso, não gosto de pensar em problemas grandes e sem solução, e acho que esse é o ponto de vista da maioria das pessoas - senão, alguém com certeza já teria feito alguma coisa. Enquanto isso, continuamos fingindo que está tudo bem.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
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