Muitos trabalhos acumulados, a chuva e a vontade ininfinita de sair de casa.
Apesar de tudo, eu continuo apaixonada. Essa é exatamente a hora em que tomar um porre seria um presente merecido, cada segundo de tontura - da boa e da até da ruim, no dia seguinte - me fazendo uma pessoa melhor.
Chorar, talvez. Encostar em alguém, mesmo que para ser empurrada depois. Deixar de ter sonhos ruins por alguns dias (ou mesmo sonhos bons, porque eles viram problemas quando terminam).
Eu continuo apaixonada por coisas que não existem e pessoas que eu criei, sinto saudades de situações inventadas que confundem as minhas lembranças. Vejo o futuro como uma grade de horários, o que é preocupante quando se tem mais atividades do que tempo para realizá-las - alguém poderia me contar quando eu vou morrer, assim eu me programaria melhor até o meu último dia.
As sensações reais são tijolos caindo sobre cabeças; os meus pensamentos são travesseiros de pluma que nunca saem de uma cama grande com lençóis cor de creme. Minhas idéias são imagens inalcansáveis e extremamente bem elaboradas, fico pensando no que os outros sentiriam se pudessem ver com os meus olhos.
Andar com os meus pés, mastigar com os meus dentes e dormir com os meus sonhos. Se alguém sobreviveria se extivesse apaixonado por tudo o que me comove, fico pensando se alguém tivesse que ser eu, se chegaria ao final do dia.
Não porque seja ruim ser eu, mas só porque às vezes me sinto tão diferente das outras pessoas que acho que elas não se acostumariam em ser eu.
As imagens que existem dentro de mim são lindas, e eu queria poder compartilhá-las com alguém. Isso incluiria ter uma pessoa ocupando o mesmo corpo que eu por alguns instantes - o que eu estaria fazendo, então? Estaríamos assistindo juntos? Ou eu estaria em outro lugar, fora do meu corpo, morta enquanto não pudesse voltar para dentro de mim?
Minhas imagens são minhas não só porque pertencem a mim, mas porque foram criadas por mim. Eu as desenvolvi durante anos, aperfeiçoei detalhes, trabalhei nelas mais do que jamais me dediquei a qualquer outra coisa. Elas estão na minha biblioteca pessoal; são perfeitas para quando eu estou triste ou inspirada demais. E em geral acabo sempre fazendo mudanças, é como assistir a um filme em que se pudessse trocar as cenas de ordem, alterar o comportamento das personagens, os cenários e quase todo o resto.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
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