Chega a ser engraçado como eu acho que eu sou uma pessoa calma, centrada, objetiva, metódica, e ao mesmo tempo posso ser tão facilmente abalada. Me vejo em pé, parada, e, de repente, é como uma rajada de vento me empurasse de leve. Eu não cairia se não estivesse bem em cima de um precipício (sobre uma plataforma circular do tamanho dos meus pés, que estaria flutuando no ar).
No começo, me assusto e percebo que não vai ser possível evitar a queda - aqueles dois milésimos de segundo em que conseguimos pensar em dez milhões de coisas. Minha cabeça enquenta, talvez a minha última sensação da vida. Logo depois, quando eu já estou caindo, não acho mais a idéia tão ruim. Sinto o vento corroendo as minhas bochechas, minhas roupas congelam por causa da velocidade da queda.
Percebo que eu estou viva. Eu estou viva, caindo, mas viva. Apesar de tudo, muito melhor do que antes, no pedestal; eu não sentia nada, nem mesmo sabia que tinha um precipício debaixo de mim.
Continuo caindo, começo a achar engraçado, fico rindo até não poder mais. Às vezes a queda existe durante horas, às vezes só por alguns instantes vazios. O tempo certo é enquanto eu estiver rindo. Quando terminar de rir, o ideal é que eu comece a descair de volta para o pedestal; senão, começo a chorar e, na maioria das vezes, acabo chegando até o chão.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
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