Você acredita em destino? (Essa pergunta soou quase como 'Você acredita em amor à primeira vista?')
Sempre que me acontece alguma coisa ruim, lembro da minha professora de matemática da oitava série dizendo que 'tudo que acontece acontece para o bem', depois dos resultados do teste do Santa terem saído, consolando os que não tinham passado.
Se um raio cai duas vezes no mesmo lugar, é um sinal de que as coisas não podem ser como a gente quer que elas sejam. Talvez até o mesmo raio, no mesmo lugar. Algo (não necessariamente uma força quântica ou até divina) insistindo para que você siga um certo caminho, fazendo o possível para que você não se deixe levar para direções que, por algum motivo nebuloso, tornariam a sua vida um inferno - ou até colocariam fim a ela.
Na metáfora da minha vida, os raios caindo duas vezes no mesmo lugar seriam as duas vezes consecutivas em que eu fiquei em primeiro lugar da lista de espera da usp. Pode ser só coincidência ou azar, mas duvido que alguém não pense em nada além disso ao ouvir essa história.
As más direções, portanto, seriam a própria usp - afinal, estou sendo impedida (não necessariamente por uma força quântica ou divina) de estudar na usp, o que pode ser só azar ou coincidência, mas, de novo, não deixa de ser estranho.
Não passar na usp tendo prestado, em cada ano, dois cursos diferentes, dois cursos escolhidos em cima da hora, só para decidir. Fico pensando por onde é que anda o meu futuro a uma hora dessas, queria poder abraçá-lo com força.
Cenas nostálgicas na minha cabeça, às vezes é estranho pensar no passado e não poder pensar no futuro com a mesma propriedade. Fico com medo de que as coisas que já passaram ainda possam ser mudadas um dia, e, então, de repente, a minha vida se tornaria outra. Meio o que eles falam em Benjamin Button quando a Daisy é atropelada, eu sempre pensei no tempo como uma convergência de fatores que faz com que absolutamente tudo aconteça de um determinado jeito, simultaneamente e com muita sincronia.
Depois de terminar as provas da Fuvest, ficava pensando de tempos em tempos que, naquele exato momento, alguém podia estar corrigindo as minhas provas. E essa pessoa poderia, no meio do processo, sentir vontade de ir ao banheiro, por exemplo, ou resolver tomar um café. Cada segundo faria diferença, talvez ela se olhasse no espelho e ficasse triste ao perceber algo que nunca tivesse notado antes, ou se sentisse melhor depois do café, e assim, depois dessa pequena pausa, a minha correção sofreria abalos sísmicos. Nas provas dissertativas a chance disso acontecer, na verdade, é pequena, não só por causa do treinamento intenso dos corretores (e do seu raciocínio que acaba adquirindo uma precisão milimétrica), mas também pela correção ser feita por duas pessoas diferentes - e até por uma terceira, caso a discrepância entre as notas dadas pelas duas primeiras (que corrigem separadamente e nem sabem uma da existência da outra) seja maior que meio ponto. No entanto, isso pode perfeitamente ter acontecido na correção da prova específica, mesmo porque, caso a panelinha de arquitetos não vá com a cara do seu traço, você vai ficar de fora, não importa quão bem tenha ido nas outras provas.
Mas, se os raios caem duas vezes na minha cabeça, pode ser que dois corretores de português ou história ou física tenham pegado a minha prova para corrigir durante um mesmo intervalo de tempo, e tenham parado no mesmo instante para fazer outra coisa, e tenham sentido algo (uma punhalada do meu destino) que os tenha tornado pessoas diferentes durante a correção das minhas provas.
Ou pode ser só coincidência ou azar, assim como a desatenção me fez esquecer de colocar o título na redação, ou como a sorte ou o azar ou a coincidência me fez acertar com chutes alguns testes de matemática e errar outros de física.
Na oitava série, passei no teste do Santa e não sei como seria a minha vida hoje (o meu humor, as minhas roupas, meu peso e tantos traços marcantes da minha personalidade) se tivesse estudado durante os meus três últimos anos de escola em outro lugar. Eu queria entrar quando passei no teste, depois me decepcionei quando as aulas começaram, e só no ano seguinte passei a dar valor ao que estava me acontecendo.
Sinto medo de um dia acordar e lembrar não desse passado, mas de outro passado, lembrar de experiências diferentes, com outras pessoas em outros lugares. Eu acordaria com outra aparência e, se o tempo continuasse correndo normalmente, eu não saberia que havia acontecido algo de errado: aceitaria o meu passado artificial sem nenhum questinamento.
Lugar certo, hora errada? Talvez a usp seja o meu lugar errado na hora certa.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
: )
Postar um comentário