Comecei a criar personagens quando tive a certeza de que nunca conseguiria me apaixonar por uma pessoa do mundo real.
Assim surgiu o Alex, um garoto de 17 anos que mais tarde se tornaria o marido da Anna, minha protagonista em primeira pessoa. Quando foi criado, ele era o meu namorado norte-americano. Tem um pouco do Alex Kapranos (o cabelo, a altura e o corpo skinny; o olhar verde piedoso) e, basicamente, os valores de personalidade que eu sempre busquei em um homem: bonito e bobo.
Conheci o Alex em uma viagem longa aos EUA, quando tinha 15 ou quase 16 anos. Seus amigos se tornaram os meus amigos, era bom poder pensar em inglês de vez em quando. Entre eles, havia uma garota da minha idade que namorava um amigo do Alex mas que, apesar disso, foi a minha primeira garota. Ela era o que eu imaginava da Meg adolescente: o cabelo como em De Stijl, mais magra do que hoje e bem mais baixa do que eu. Essa garota, que nunca teve um nome totalmente definido, serviu de base para a criação da Lisa, a namorada da Anna, assim como serviram traços da própria Meg adulta.
Os outros amigos do Alex não tinham características individuais: estavam sempre todos juntos e gostavam de muitas drogas e de brincar de strip Twister (funcionavam como figurantes). Esse tipo de grupo era exatamente como eu achava que os amigos da Meg deviam ser, só que estes eram mais velhos, é claro, e, por isso, ainda mais extravagantes. Os homens, lindos, cultivavam as suas barbas mal feitas; todos faziam sexo uns com os outros o tempo todo.
Em outras narrativas, eu namorava a Meg; ou seja, estava sujeita a essa vida desgovernada. O nosso relacionamento era - muito por causa disso - tão problemático quanto sincero. Eu costumava me sentir triste ao vê-la com outras pessoas, ela não podia apenas me amar? Mas ela tinha o dobro da minha idade e provavelmente sabia o que estava fazendo, e só o que eu sabia era que não podia me deixar abalar. Vivia para ela sempre, mesmo quando estava no Brasil e ela nos EUA. Por mais que eu sofresse, não podia me transformar em um mártir do meu amor por ela.
Parte dos figurantes antigos, entretanto, precisarão se tornar coadjuvantes. Tenho algumas cenas ainda na memória, e posso utilizá-las para construir características. Preciso de um Thomas, melhor amigo do Alex, para namorar a Lisa; preciso de amigas para a Anna.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
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