O sono (ou fadiga, ou vontade de morrer) que eu sinto todos os dias a todos os momentos - talvez mais de manhã e mais ainda depois do almoço - foi diagnosticado pela minha mãe: tudo culpa do meu anti-histamínico.
Uma amiga dela começou a tomar esse mesmo remédio há muito pouco tempo e disse que tem sentido um cansaço alucinante. Minha avó concordou com a versão da moça, dizendo que só consegue tomá-lo logo antes de dormir.
Um passo adiante, enfim. E eu que achava que nunca mais ia conseguir correr, que nunca ia poder ter forças para ler à tarde outra vez...
Sinto raiva do desgraçado do médico, que jurou que "os anti-histamínicos modernos" não dão sono. É verdade que, tomando o remédio à noite ao invés de de manhã, talvez eu fique com coceiras e pãezinhos vermelhos por todo o corpo durante o dia, mas melhor do que fechar os olhos na cara das pessoas.
Só de pensar nos pãezinhos vermelhos já sinto uma coceira. Sei que, se eu começar a coçar, não vou parar nunca mais. A coceira inicial pode ser só psicológica, mas, depois do primeiro arranhão na pele, nada será como antes. Aprendi no sofrimento que não devo coçar. Eu tento, tento, e até consigo, só que, quando perco a atenção por um segundo e páro de pensar na coceira, minhas unhas já estão ali - às vezes até arrancando pedaços de mim mesma -, sem que eu pudesse me dar conta.
Parece uma ação de má fé, mas não é, juro. É mais forte do que eu, um instinto. Então é só esperar e os calombos começam a sugir, primeiro bolinhas pequenas, depois todas elas se juntam em placas enormes do tamanho dos membros que estão ocupando; elas crescem, formando saliências horríveis.
Antes eu passava Fenergan por empirismo (alergia, afinal) e funcionava. O médico proibiu porque não tinha "nada a ver com o problema", me receitou um remédio para dormir e ficou por isso mesmo.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
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