terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sabe quando você se sente desconfortável dentro do seu próprio corpo? Eu sinto isso o tempo todo, é só surgir um problema que eu não saiba resolver.

Minhas pernas querem encostar uma na outra, meus braços ficam mais compridos e a minha barriga faz questão de provar que existe. Meu cabelo ganha vida própria, desafiando elásticos e grampos, não consigo determinar se sinto frio ou calor, minhas unhas me incomodam e os meus dedos querem sair pulando das minhas mãos.

Minhas sobrancelhas se curvam involuntariamete, elas exigem o fechamento dos dois olhos de uma vez.

Não sei se eu fico em pé, sentada ou deitada: não existe posição confortável. Todas oferecem desvantagens, algumas partes de mim querem começar a correr e outras querem sonhar dormindo, meu corpo parece precisar de milhares de banhos por dia (posso sentir a sujeira descolando aos poucos).

A ansiedade faz vergões vermelhos na minha pele branca, meu estômago suspira em resposta a cada batida do meu coração. Ouço o som dos líquidos circulando pelas minhas veias, às vezes eu tenho vontade de arrancá-las com uma faca, só para ter certeza de que elas são realmente verdes (depois eu poderia costurará-las de volta, sem trauma).

Me sinto estranha esperando, imagino a minha vida e tudo o que eu consigo pensar é em um momento imediatamente posterior a agora (do tipo amanhã) e, em seguida, de repente eu sou uma senhora de oitenta anos, lamentando-se de tudo o que queria ter feito mas não teve tempo.

Estou me acostumando, aos poucos, com a idéia de que eu não vou ter tempo para fazer tudo o que eu quero ao longo da minha vida. É triste, mas é o que é. Então tento preencher todos os momentos de agonia de espera com coisas úteis (leituras, desenhos, escritas), só que a ansiedade tem se mostrado um ponto de resistência. Uma coisa é ter tempo livre, a outra é ter tempo enquanto se espera. O tempo da espera não é livre, pelo contrário, é uma prisão de tédio desconfortável, extremamente claustrofóbica, que dificilmente pode ser deixada.

Para deixá-la, perseverança, acho, e uma vontade forte de não pensar no futuro. Não pensar no futuro. Ainda tenho sessenta anos antes de me tornar uma senhora arrependida.

2 comentários:

Unknown disse...

Lindo, Gênia.

Unknown disse...

E, ao contrário de você, costumo pensar mais no futuro de daqui a uns 7 anos, ou mais até, e morro de vontade de dar um fastfoward na minha vida, pular toda essa parte chata que eu acho que to vivendo. (faculdade, morar com papai e mamãe)

Falei isso para minha mãe e ela disse que só seria bom se tivesse um botão de rewind também.