Você está com vontade de desenhar, não sente vontade de sair de casa mas não acha ruim quando sai, pensa que ninguém gosta de você, gosta de pensar que você não gosta de ninguém, tem medo de nunca conseguir gostar de alguém de verdade.
Você tem medo de um monte de coisas. Sempre teve. Talvez já tenha tido mais do que hoje - já teve, com certeza. Você não se sente mais tão mal na frente dos outros. Mas, hoje, tudo é muito mais sem graça do que já foi. Você não se sente melhor do que ninguém, mesmo quando tem motivos para isso.
Você não se acha bonita nem feia, acha as pessoas que você não conhece bonitas e todas as que você conhece, feias. Você não quer ninguém que você conhece. Nem quer se esforçar para conhecer pessoas novas.
Você tem medo de pensar nas coisas que você quer, porque isso é uma garantia de que elas nunca vão acontecer. Você queria, mais do que tudo, que as suas histórias - seus personagens e seus lugares, os problemas inventados e as suas soluções divertidas - fossem reais. Que elas fossem você.
Você provavelmente não quer mais criar histórias. Você quer viver - pela primeira vez na vida. Quer abrir os olhos e sentir as coisas que existem. Que pedaços de papel, tecidos rasgando, marcar encontros, cumprir promessas.
Mas você nunca vai deixar de querer um vício. Falo isso porque eu conheço você. Nunca, nunca mesmo. Nem adianta tentar. Você gosta de se estragar, e tem que ser sozinha. Você nunca deixaria alguém ir tão longe. Ouvir as coisas que você murmura antes de dormir, observar os seus pensamentos passando pelas paredes de um quarto escuro.
Você tem medo de ter medo para sempre. E do sempre. Sempre te incomoda muito. Você odeia não conseguir prever, quer evitar criar vínculos para que, um dia, quando finalmente for a hora certa, você não se sinta culpada.
A verdade é que você não se sente bem. E, se alguém te perguntasse o que você tem de errado, você diria isso, que não se sente bem. E que não tem a menor idéia do que poderia fazer para se sentir melhor. Talvez não propriamente bem, só melhor.
Você costuma achar que está se sentindo bem, quando acontece alguma coisa idiota e você percebe que não é bem assim, que não pode ser bem assim. A coisa idiota acontece e, de repente, você se se dá conta de tudo. Começa a te faltar ar, te faltam palavras - você diz qualquer coisa, para ninguém perceber -, sua garganta fica molhada de lágrimas, você engole em seco e ri. Ri de você.
Depois, você chora de você. Sozinha.
As coisas ruins estão presas dentro de você. Elas nem são mais problemas, são coisas com as quais você se acostumou a viver; você aprendeu a lidar com elas. Você se conformou com muito do que já foi um absurdo para você.
Então, se alguém estapeasse o seu rosto, você nem piscaria. Como já aconteceu muitas vezes. Você não se importa, e acha ridículo que as pessoas se importem. Como você consegue não sentir dor, quando deveria doer?
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
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Um comentário:
Garota, se pudesse te daria um abraço!!!
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