Minha mãe disse que, quando ela tinha 20 anos, ia com os amigos tomar café no aeroporto. Fizemos isso sábado à noite depois do hamburger, e não só porque era o meu jantar de aniversário - acho que teríamos feito de qualquer jeito, depois de eela ter comentado algo a respeito.
Ela contou que o aeroporto de Congonhas foi um dos primeiros lugares a ter café expresso em São Paulo. Achei engraçado e fiquei tentando entender como era o mundo não-globalizado e menos caótico, minha irmã tem ou diz ter uma imagem melhor disso (ela fala até que, quando ela era uma criança pequena, os shoppings não abriam de domingo).
Tive uma conversa parecida com a Hannah há pouco tempo, ela perguntou se eu queria que ela trouxesse alguma coisa da Califórnia e eu pedi m&m's de peanut butter. Um mundo de coisas nos Estados Unidos e, bom, eu pedi m&m's de peanut butter. Uma das poucas coisas que tem lá e não tem aqui, assim como um dia já aconteceu com balas Althoids e algumas outras besteirinhas que faziam com que aqueles que costumavam viajar ao exterior se sentissem superiores.
Sem ser criteriosa, vivemos o mesmo tipo de vida em todo o mundo. Com algumas nuances, claro, algumas pequenas diferenças em forma de filigranas, como diria a Cláudia, mas, ainda segundo ela, a estrutura é a mesma.
E fico me perguntando qual é a graça. E, se daqui a trinta anos, vou ter alguma coisa para dizer aos meus filhos (ou aos filhos dos outros), encher o pulmão de ar e levantar o indicador direito 'Porque, no meu tempo...'
Sei que não tem nada a ver com o raciocínio que eu estava desenvolvendo, mas ontem pensei que, se eu quisesse fazer um filme sobre a minha vida, não saberia quando ele começaria nem quando terminaria. Pensar no começo talvez fosse mais fácil, não acho relevante falar de nada que venha antes dos meus avós, embora isso implique em narrar talvez mais de sessenta anos de história antes do meu nascimento.
Mas, e então, quando tudo terminaria? É mais do que óbvio que eu precisaria morrer para poder terminar o filme, ou quem sabe para começar. Se eu começasse hoje, talvez mais da metade do filme seria sobre a minha vida até hoje, e eu provavelmente ficaria tentada a inventar um final.
Não saberia o que dizer, aonde chegar. Espero ainda não ter vivido a maior parte da minha vida. Nem a melhor. Não espero muito ou tento não exigir nada, sei que é impossível mas procuro não sonhar nem fazer metas, preciso ser medíocre.
Enquanto isso, posso elaborar o roteiro para o filme da minha vida, fechar os olhos e enxergar imagens estragadas pela neve que caiu sobre os meus pais há quase trinta anos, fingir que eu lembro do que era a minha vida - e não só eu, e sim tudo o que se passava ao meu redor - quando eu era um bebê, pensar nas coisas que vêm me incomodando desde que eu entendo que eu existo, minha aparência nas situações mais relevantes que já me aconteceram, como eu estava vestida, que altura eu tinha, posso sentir o sol quente tropical de 1950 e poucos.
sábado, 1 de agosto de 2009
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