sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Franja engana bem. Sempre.

(Estou comecando a tentar perceber qual é a primeira coisa em que eu reparo nas pessoas que, de repente, se mostram interessantes para mim. Fisicamente, claro. Nunca gostei de características psicológicas por preconceito - a não ser, talvez, da menina estrangeira falando um português desajeitado, mas acho que nao conta muito, eu já tinha gostado dela antes mesmo de tê-la ouvido falar.)

Eu reparo em cabelos, depois em roupas. Depois em nariz, fatalmente. Se tudo isso for aprovado, reparo na altura. E vejo se a altura condiz com o tamanho das pernas. Depois vêm detalhes dos mais variados, unhas, pele. Tatuagens também são um ponto importante (e em geral não favorável).

Olhos são os menos principais.

Sorrisos são desnecessários. Gosto de quem encara de frente, mas odeio quem continua olhando depois de não ter sido correspondido.

O jeito como as mãos se mexem. Para pegar coisas na bolsa, dobrar a manga do casaco, chamar alguém. O jeito como a voz sai da boca e como os dentes lidam com a voz.

Adoro não ser percebida. E tenho medo de que as pessoas reparem que eu sorrio quando estou imaginando. Que eu deixo o café esfriar e páro tudo o que estiver fazendo.

Antes, eu não tinha coragem de olhar.

Meu amor platônico teve uma fase inicial - e completamente normal - de imaginar o que poderia ter acontecido em certas situações depois delas terem acontecido, ou o que poderia acontecer e seria bom que acontecesse, sem ligação nenhuma com a realidade; mas tudo piorou quando eu comecei a imaginar coisas que poderiam estar acontecendo durante o momento que eu estava vivendo.

Eu não tinha coragem de olhar e por isso me prendia cada vez mais no que eu estava pensando, a minha imaginação ia muito além do que eu mesma podia acreditar, meu único objetivo era não sorrir, ainda que o sorriso de alguém que encara o chão quase não seja denunciador.

Eu ainda olho, imagino, finjo que não está acontecendo nada, rio para dentro. Me deixo levar pelas primeiras impressões, e demoro a me convencer de que elas não são as melhores. Impossível me conquistar, impossível ser conquistado por mim.

Nenhum comentário: