Minha cabeça traz dúvidas e me leva outra vez a acreditar que não vale a pena.
Ontem, enquanto mexia em jornais velhos, pensei em desistir. Mas então reparei que eu estava de pijama, eu jamais morreria de pijama. Só o trabalho de vestir uma roupa e arrumar o cabelo, bom, eu já teria parado de chorar até lá.
Meus impulsos falham porque são escravos do meu método. Minha morte seria calculada e perfeita, eu já disse isso antes.
Ou sem roupas nem maquiagem. Mas todos ririam das minhas costelas. Seria de olhos fechados e sorriso mas com rugas, eu também já falei sobre isso um milhão de vezes.
Não poderia ser no frio. Eu não morreria roxa, nem deixaria que alguém pensasse que eu morri há mais de dez horas se tivesse morrido dois minutos atrás.
Quem comentaria? Quem se preocuparia? Consigo pensar nas pessoas que se importam, mas o que mais me interessa é quem não me conhece direito. Envergariam a boca e falariam alguma coisa? Permaneceriam sem dizer nada, como sempre.
Como a notícia correria, eu não sei. A minha foto 3x4 sendo lembrada através de um monte de lugares. E então é o fim. Qual seria a minha última foto 3x4?
Eu enxergo o fim branco. Eu não me imaginar no futuro quer ou não quer dizer alguma coisa?
Daqui a dez anos, eu... Eu. É nesse instante em que fica tudo branco. Na minha imaginação. Aquela cena que aparece na parte de trás do que estamos enxergando, que é o que estamos imaginando.
Uma sensação de estar sendo desligada, um som abafado e então termina. Um filme sem créditos.
Quem poderá assistir até o final? Fico pensando e tenho medo de que ninguém possa apertar a minha mão pela última vez.
Sempre pode ser o último segundo. Portanto, percebam. E não se sintam culpados, acima de tudo. Arrependidos. Impotentes, apenas. E felizes. Por mim, por vocês, pelo mundo sem mim, pelo mundo comigo, por tudo o que for importante, pelo que foi importante.
sábado, 29 de agosto de 2009
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