sábado, 4 de julho de 2009

Depois de andar um pouco por ruas & lojas, minha mãe perguntou 'Você repara como as pessoas olham para você?' Eu não tinha reparado, nem sabia como formular uma resposta para o sorriso malicioso dela. Formulei uma pergunta: 'Como assim? De um jeito ruim?'

'Ninguém fica olhando para as pessoas que não gostou.'

Entramos em uma loja de acessários para cozinha e os vendedores me trataram bem, nada excessivo. A mulher da American Apparel perguntou se eu era bailarina, acho que pelo jeito como eu estava vestida. 'Por causa da meia-calça branca?' Ela se confundiu. 'Não sei... O sapato rosa...' Era um Timberland bem rosa ballet, e depois eu percebi que estava usando um coque.

Na Lupo, um homem careca de casaco verde e talvez uns 30 anos de idade (que provavelmente estava esperando alguém, sentado) me encarou como se quisesse não só o meu mal, mas de todo o meu corpo.

Eu fiquei encarando uma garota pequena (de uns 16, talvez) na loja das Havaianas. Ela se vestia bem (apesar do all star preto) e carregava uma Holga de 35mm na mão. Pensei 'Ou ela é poser ou ela é estrangeira'. Ela era estrangeira, estava com a mãe, depois eu até vi as duas tirando fotos em frente à loja da Melissa. Ela não era bonita, mas tinha um messy hair loiro-castanho bonito (bagunçado e bem ajeitado - foi daí que eu tirei a idéia para o meu coque).

Quando a minha mãe perguntou, pensei que ela fosse dizer que todo o mundo olha para as minhas pernas quando eu não estou usando calça. Nem sempre isso acontece, é só uma mania da minha mãe; atualmente, é também uma maneira que ela encontrou para provar que 'Viu? Não sou só eu que acho as suas pernas finas demais'.

A menina da Holga talvez fosse ainda menor do que eu imaginei, mas soube retribuir aos meus olhares. Ela tinha olhos pequenos e separados, e abria a boca como se tivesse acabado de receber uma notícia ruim.

Em festas, ultimamente, quando tenho que passar pelo meio de muita gente junta, sinto que não sou eu, e sim os meus ossos que esbarram nas pessoas. Principalmente perto da cintura, e eu não sentiria nada além de vergonha se alguém realmente quisesse tocá-los.

O fato de as pessoas olharem para mim é uma conquista, ou talvez um prêmio sem disputa.

Afinal, com quem você estava competindo? Você não pode se sentir bem, mesmo não tendo motivos para se sentir mal. Não se sinta pior se você sabe que é melhor, não tente encontrar explicações sem sentido. Talvez você simplesmente não seja.

O meu coração é inconstante. Pela primeira vez na vida, consigo dizer isso sem chorar. Às vezes eu rio por dentro e penso na Brod de Tudo de ilumina escrevendo no diário Eu não estou apaixonada. Eu já disse isso antes, e me orgulho de que essa seja a melhor coisa do mundo, Eu não estou apaixonada.

Daí lembro do Nemo quando finalmente é encontrado, ele chega perto do pai e diz Eu não te odeio. Eu não te odeio e Eu não estou apaixonada são as frases que mais vêm na minha cabeça quando não estou pensando em nada e tenho algum sentimento muito forte preso na minha garganta, junto com You're tacky and I hate you do menininho Escola de rock e She died of anorexia, da maluca de Meu amor de verão.

2 comentários:

P. disse...

mas não custava nada ter me ligado da lupo, hein? precisava de meias.

Unknown disse...

"Eu não estou apaixonada" também é das frases que mais vêm na minha cabeça quando não estou pensando em nada. Mas pra mim, neste momento, isto é a pior coisa do mundo.