segunda-feira, 15 de junho de 2009

Acho estranho como algumas músicas (ou alguns álbuns, ou até algumas bandas) acabam ficando associadas a períodos, sensações ou objetos extremamente marcados. Percebi a verdadeira relevância disso enquanto eu e a Paula ouvíamos Kinks no sábado.

Músicas como Drivin', Victoria ou Yes sir funcionam como retratos tristes de 2004 - para nós duas.

Em 2005, Get Behind Me Satan foi a trilha sonora da minha semana de provas. Ele tinha acabado de ser lançado, e eu o escutava pelo menos duas vezes por dia. Ajudou a me livrar de recuperações mesmo tendo estragado todas as minhas tentativas de estudo.

As férias de 2005 para 2006 foram invadidas pelos Strokes com seu First Impressions of Earth. Hoje não está mais na minha cabeça, mas foi importante no segundo ano, quando eu e a Hannah fazíamos analogias descomplicadas de Heart in a cage com o Romantismo que aprendíamos com a Antonietta: See, I'm stuck in a city but I belong to a field.

Em 2006, os Raconteurs lançaram o seu primeiro álbum. O vício durou alguns meses, sendo depois substituído por De Stijl, dos White Stripes, não sei bem por que. Antes disso, The best little secrets are kept, do Louis XIV, marcou o momento em que eu percebi que queria puxar meninas pelo cabelo e arrancar as suas roupas com os dentes.

Mais no começo de 2006, o Supergrass conseguiu roubar horas da minha vida; seus dois primeiros álbuns me lembram o carro da minha irmã - assim como o Transfiguration Of Vincent do M. Ward, que eu também associo a uma regata branca da Zara (que ainda existe mas está velha demais) e às minhas idas freqüentes e doloridas ao dentista, por causa do aparelho.

O começo de 2007 foram b sides do Franz Ferdinand: Better in Hoboken (versão meio acústica de Jacqueline), Don't start, Words so Leisured (Darts of pleasure calminha com o Alex Kapranos cantando drogadíssimo), Bang bang (All for you, all for you, all for you, Sophie...) e principalmente Love and destroy, esta última muito associada à fase degradante que eu estava vivendo. Icky thump, White Stripes, foi o álbum da minha melhora - física, e não psicológica.

Gallowbird's bark, dos Fiery Furnaces, é do período entre o fim da segunda fase da Unicamp e a divulgação do resultado da Fuvest. Tonight, do Franz Ferdinand, é o mesmo que não ter passado na Fuvest.

Detroit Cobras são amores frustrados de 2006 e 2007; Beatles (Help, Please please me, Revolver - cheguei a escrever um roteiro sobre Revolver) é a minha experiência negativa em 2005.

Consolers Of The Lonely, The Raconteurs, é voltar dos Estados Unidos e perceber que tudo ainda poderia dar certo; Widow City, The Fiery Furnaces, é perceber que nada poderia dar certo (e sair escrevendo SHE MEANS NOTHING TO ME NOW pela casa).

Supergrass, Louis XIV e Fiery Furnaces (com Bitter Tea) são o Peter, meu primeiro iPod. White denim é verão 2008/2009.

Road to Rouen, Supergrass, é o meu peso ideal: embora o mais estável de todos os meus pesos, foi a última gota de um copo que começou a transbordar e parecia que nunca poderia voltar a se esvaziar. Walk a mile, Holly Golightly, é o meu Converse Weapon amarelo e azul, que eu ganhei quando fiz 16 anos. Junto com o Louis XIV, a Holly (e a sua bonitinha She said) ajudou a construir a minha personalidade (And she meant: you're all I see. You complete me. Yes you complete me. It's you I'm for).

Um comentário:

Unknown disse...

eu tava pensando nisso mesmo enquanto ouvia johnny thunders.. 2005 total!