domingo, 7 de junho de 2009

Descobri que eu não tenho com quem conversar. Parte disso é culpa de não ter amigas por perto todos os dias (o que não acontecia na escola ou no cursinho). Então, quando eu finalmente encontro alguma delas - em geral em finais de semana - as assuntos acumulados já são tantos que acabam virando nenhum. Conversamos sobre qualquer coisa que diga respeito a nada (o tempo, a rotina, problemas pequenos e passageiros ou que nem existem); nunca consigo deixar que as minhas angústias se tornem palavras, nem que elas saiam do meu corpo de qualquer outra maneira.

Ao invés disso, elas se fincam cada vez mais para dentro da minha consciência. Não as deixar sair é o mesmo que me acostumar com elas, elas me habitam e, no fundo, fazem parte de mim. São a minha personalidade, embora eu tente ao máximo não parecer uma pessoa angustiada.

Acho que um ponto crucial seria ter alguém para quem dar satisfação. Não necessariamente alguém que se preocupasse comigo, mas também não alguém que não me conhecesse bem o suficiente. Alguém que minimamente se importasse, e estivesse sempre disposto a ouvir e discutir qualquer coisa. Não uma pessoa que me cobrasse, nem que achasse estranho se eu ligasse para ela e não falasse nada ou se ficássemos nos encarando por horas sem dizer nada.

Eu poderia falar ou poderia não falar. Seria uma opção. Poderia não querer falar por semanas, e de repente, quando eu precisasse, ela apareceria para mim de novo. A nossa relação não seria mútua: eu claramente me aproveitaria dela. Mas ela não trataria isso como um problema.

No fim, as pessoas se aproveitam umas das outras, e as pessoas sensatas não tratam isso como um problema. É mais comum do que eu imaginava.

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