quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Fuvest ter dado relativamente certo até agora é uma coisa boa, que evita muitos constrangimentos. Em mesas de família, conversas rápidas com conhecidos e algumas situações de pessoas não íntimas o suficiente.

Foi assim hoje com o meu psiquiatra, mas eu continuo achando que não tem a menor graça falar de vestibular com ele, afinal, ele passou em medicina!

Ele perguntou, com um sorriso de expectativa, sobre o que eu achava que ia mudar na minha vida quando eu entrasse na faculdade. Tentei não pensar em tudo o que eu acho que a faculdade tem de ruim, e respondi que achava que nada ia mudar.

Ele se assustou, e, como todos os adultos, começou a elogiar a vida de faculdade (soa tão estranho o jeito como eles suspiram com ar de "foi a melhor época da minha vida", acho que porque é muito perto para ser a melhor época da minha vida, e dá a sensação de que, depois disso, já vai estar na hora de morrer). Disse como é bom sair da atmosfera do cursinho, enfatizou isso falando do retorno ao convívio social e da diminuição de preocupações a longo prazo, como se fosse uma volta à escola.

Realmente, deve ser bom tirar esse peso da consciência, aliás, eu estava fuçando o site do Anglo agora há pouco, atrás de um resultado, e achei uns vídeos que eu nunca tinha visto, do Renan dando orientações sobre o processo de preparação para o vestibular, programas de uns dez minutos de duração.

(me senti meio deslocada assistindo a trechinhos aleatórios das falas dele. Agora que já está quase no fim, seja o que for.)

Acho difícil me imaginar na faculdade, penso em mim perdida vagando sozinha por corredores, sendo simpática com as pessoas mas não fazendo realmente questão delas. No começo vou odiar, tenho certeza. E vou achar que nada daquilo tem a ver comigo, e que eu nunca vou conseguir chegar aonde eu quero.

É verdade, eu nem sei aonde eu quero chegar... Nem aonde eu não quero chegar, como dizem os idiotas ou os pessimistas ou sei lá que tipo de pessoa é que diz isso. Eu só não quero, às vezes, continuar.

Talvez um coma induzido por alguns meses não fosse de todo o mal. Eu queria mesmo era que o universo inteiro desse pause por um tempinho, ou seja, não só comigo parada: com tudo parado, todo e qualquer grão de poeira cósmica. E, depois, voltaríamos como se nada e tudo tivesse acontecido ao mesmo tempo. A sensação de uma noite bem dormida ou da melhora de uma gripe, ou sabe quando dá aquela felicidade tão sem motivo que passa bem rápido?

Um comentário:

Cassia disse...

Eugenia, depois do marketing na aula de L.A. resolvi ler alguns posts...Curti viu?Vc escreve muuuito bem, que invejinha...!
Nao li todos, mas gostei especialmente do último parágrafo desse texto, deu uma sensação boa!
parabéns!beijooo