quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Você já chorou por alguém que nem existe de verdade?

Ela virou o rosto na minha direção, tentando tampar os olhos enquanto me ouvia, como se se escondesse do sol.

Sei que, nos últimos tempos, tudo tem sido motivo para me deixar triste. A palavra mais bonita. O momento menos silencioso. Comecei a chorar.

Como você pode chorar por alguém que nem existe de verdade?, ela disse, quase rindo.

Eu imagino pessoas e me apaixono por elas.

Ela saiu andando pelo meu quarto e se jogou de costas na minha cama, ainda com as mãos sobre o rosto. Permaneci onde estava.

As lentes dos meus óculos começaram a embaçar. Tirei-os. Voltei a minha atenção a ela. Ela, que havia se tornado um borrão, agora me olhava sorrindo (eu ainda podia identificar o sorriso), esparramada na cama bagunçada, tentando alcançar um travesseiro.

Continuei pensando em mim mesma, no que teria me levado a chorar naquele momento. Ela nunca me entenderia: eu não encontraria meios para me explicar. Ficamos nos encarando por alguns segundos; eu, provavelmente, nítida - ela devia estar enxergando cada uma das minhas lágrimas caindo, as rugas da minha testa se formando e cada fio do meu cabelo se bagunçando enquanto eu abaixava a cabeça, tentando conter o choro.

Me admirava que ela não fizesse nada. Que não tentasse me fazer parar de chorar, ou que não me perguntasse o que havia de errado comigo. Ela só sorria. Sorria e me olhava.

Talvez ela só estivesse pensando em outra coisa qualquer. Talvez nem percebesse a minha presença. Então, eu não constituiria um corpo vivo, mas um objeto qualquer.

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