terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fiquei lendo aquele bilhete mil vezes, apertei o papel e o amassei e quase estraguei tudo, a tinta da caneta ficou impressa na minha mão. Eu não conseguia sorrir, porque era lindo demais, nem conseguia tirar as rugas da minha testa (porque era lindo demais). Era tão lindo que uma das minhas sobrancelhas não conseguia mais ficar na altura certa. Meus dentes batiam de amor.

Pensei por horas no que eu poderia responder. Escrevi centenas de tentativas. Tinha que ser casual, como o bilhete dela. Muito papel foi se amontoando à minha frente. Primeiro, guardanapos. Depois, folhas de papel, que eu achei que seria mais adequado. Mais tinta sujando as minhas mãos. Não podia ser impreciso. Nem longo demais. Eu escrevia em mim em vez de escrever nos papéis. Eu escrevia na mesa, na xícara do café que eu já tinha tomado, no pires da minha xícara, em livros que não eram meus e por cima das matérias de um jornal abandonado, eu escreveria na caneta se fosse possível.

É claro que o bilhete dela tinha sido uma resposta, não é como se ela tivesse me escrito com a sua própria espontaneidade. Ainda assim, era um bilhete que ela tinha escrito para mim, palavras em que ela tinha pensado para me escrever; ela tinha pensado em mim por alguns instantes (alguns minutos, talvez), aquilo não tinha tomado todo o dia dela como havia tomado o meu, tenho certeza, mas, de toda forma, ela tinha pensado em mim.

No meu primeiro bilhete, eu disse que naquele dia tinha lembrado dela. Me perguntei se ela saberia que eu penso nela o tempo todo.

Me perguntei se eu estaria sendo incoveniente, talvez eu não devesse ter ido atrás dela só porque havia lembrado dela por um motivo besta; só então percebi que a gente só havia se falado umas cinco vezes na vida. Bom, talvez um pouco mais. Mas não mais que dez. É que acho que eu achava que ela podia entender como eu andava me sentido, que ela podia ver os meus pensamentos sobre ela o tempo todo.

Se ela pudesse, ou me amaria ou me odiaria. Como ela não podia, provavelmente devia achar que eu nem estava ligando. Que aquilo tudo tinha sido normal para mim. Bom, não tinha. Foi bem melhor do que normal. E bem pior do que normal.

(É a minha história e pronto: está ouvindo? Eu me apaixonei. Caí de quatro. Me derrubou. Fiquei feliz, depois fiquei um farrapo. Fazer o quê?)

Eu queria escrever alguma coisa óbvia, para tentar não mostrar os meus sentimentos, ao mesmo tempo que queria que ela percebesse que eu me importava. E que eu poderia estar esperando. (Eu estou esperando.)

Não sei muito bem o que eu queria no final (do mundo, da minha vida, da vida dela). Só consigo pensar em situações pontuais. E, se não houver mais ninguém, nunca mais, capaz de olhar para mim, que não haja.

(Quando me fez cair de quatro ela também me deixou invisível.)

2 comentários:

Anônimo disse...

Pra quem disse a menos de um mês que nunca tinha estado apaixonada...parece que te acertaram em cheio!!!

Ginger Bread disse...

você nunca vai saber quando estou dizendo a verdade...