Comecei a escrever literatura porque eu queria que algumas coisas, de alguma forma, realmente acontecessem na minha vida. Então é isso que escrever é para mim: um jeito de tornar real o que eu não posso viver - ainda que seja mentira.
Bom, não; não acho que seja mentira - ainda que não seja verdade. (É só que a palavra mentira não soa bem.)
São reflexões sobre coisas plausíveis. O maior prazer da minha vida é imaginar. Me perder nos meus próprios pensamentos. E me surpreende me lembrar, quando alguém me pergunta algo como "O que você fez hoje?", que eu não fiz as coisas que eu imaginei.
Não acho que eu viva uma vida interessante. Talvez até emocionante, mas não muito divertida. Eu poderia, sim, escrever romances (vários) sobre a minha vida, mas eu poderia escrever romances sobre qualquer coisa. Milhares de páginas sobre três segundos. As situações mais triviais do mundo.
São reflexões sobre coisas plausíveis. O maior prazer da minha vida é imaginar. Me perder nos meus próprios pensamentos. E me surpreende me lembrar, quando alguém me pergunta algo como "O que você fez hoje?", que eu não fiz as coisas que eu imaginei.
Não acho que eu viva uma vida interessante. Talvez até emocionante, mas não muito divertida. Eu poderia, sim, escrever romances (vários) sobre a minha vida, mas eu poderia escrever romances sobre qualquer coisa. Milhares de páginas sobre três segundos. As situações mais triviais do mundo.
No mais, tenho medo de escrever sobre coisas que aconteceram comigo porque tenho medo de que alguém as encontre. Eu não gostaria que as pessoas lessem a minha vida. Não do jeito como eu gostaria de escrevê-la.
Além disso, é muito difícil escrever sobre o que eu mais gostaria de escrever. Situações despedaçadas, mal-resolvidas são sempre as mais interessantes. E me dói muito ter que verificar a coesão de cada frase, prestar atenção demais à gramática e todas essas coisas que precisam estar presentes em um texto.
Em geral, eu só preciso de um assunto para escrever. Mas, quando o assunto sou eu e o meu passado, não consigo ser minha própria editora. Ou até consigo, com um sacrefício enorme.
Enfim, de um jeito ou de outro, a minha vida se reflete no que eu escrevo. Eu só queria ter mais coragem e transformar todas as sensações que eu vivi em palavras. E presentear as pessoas com o meu ponto de vista. Isso é o que você foi para mim, eu diria a elas, entregando manuscritos.
O que me incomodaria é que elas provavelmente ficariam tentando interpretar demais, ou se sentiriam honradas demais por estarem recebendo relatórios meus sobre a nossa convivência. Eu só não quereria ser mal-compreendida. Afinal, eu não estou apaixonada. Nunca estive.

2 comentários:
"Não acho que eu viva uma vida interessante.", você disse.
De fato, acho que definir o que é interessante pra si é o mesmo que definir a comida, ou a roupa, ou o corte de cabelo. Cada um tem o seu jeito. Não há como definir padrões apesar de haver algo chamado senso comum que tenta, ao menos, encontrar um fraco equilíbrio nos gostos gerais.
Eu acho você interessante. Não porque te conheci, porque conversei contigo ou porque partilhamos a mesma carona dada por um professor ao fim de uma festa. Não é por nenhuma dessas coisas que te acho interessante. Nem porquê um dia você me " elogiou" quando disse que fui uma das únicas pessoas a pronunciar seu nome corretamente na primeira vez que o lí. Nem por isso também.
Você diz que " Comecei a escrever literatura..." e também que " O maior prazer da minha vida é imaginar ". Você ainda vai dizer que "..escrever é para mim: um jeito de tornar real o que eu não posso viver...". Eu te acho interessante porque acredito que você é sincera quando escreve sobre aquilo que pensa.
Acho que vida aqui fora é bastante rotineira pra grande parte da humanidade. Por outro lado, acho que ela ( a vida ) deve ser bastante emocionante no interior de cada um. Ou pelo menos para aqueles que não deixaram seus sonhos serem "estatizados" por aquilo que a mídia impõe e blá,blá,blá.
Apesar de você dizer que não escreve sobre si, sinto que você expõe algo que é só seu, algo que faz parte da sua opinião e do seu interior. E pouco se importa se a corrente do senso comum vai a favor ou contra aquilo que você diz. E isto torna o texto ainda mais sincero.
Acredite ou não mas, ao menos para mim, sentir alguém expondo aquilo que pensa e vive interiormente desta forma, tão simples e tão interna, produz aquele prazer intelectual de realmente estar conhecendo algo ou alguém de verdade. E isso aliado a uma mínima capacidade de escrever, à qual você possui muito mais que o mínimo, torna a leitura bastante excitante.
Acho que posso te agredecer pelos momentos de prazer ( e risos ) que você oferece quando te leio. E também posso sentir-me feliz por conhecer alguém assim, que me faz acreditar mais que os meu interior pode ter muito mais vida do que eu imagino, desde que eu me disponha a descrevê-lo.
Muito obrigado mocinha
Eu é que agradeço!
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