Resolvi conferir o cronograma da matéria para a qual vou entregar um trabalho amanhã e descobri que, logo amanhã, vou ter que desenhar um modelo vivo. Na verdade eu já devia estar suspeitando disso, porque mandaram a gente levar um bloco de papel A2 e cinco grafites diferentes e, além disso, eu já tinha lido esse cronograma outras vezes antes - só não estava lembrando da seqüência certa das datas.
Quando eu li modelo vivo fiquei meio desesperada. Lembrei do David Sedaris contando em um conto sobre uma situação igual a essa que aconteceu com ele, assim que ele entrou na faculdade. Mas, ele, ao contrário de mim, contava os dias para que chegasse o momento de, finalmente, desenhar um homem pelado. Toda essa empolgação porque ele era gay; não sei se ele nunca tinha visto um homem pelado antes, bom, ele é um homem mas é óbvio que não é a mesma coisa. Acho que o maior problema era ter que desenhar aquilo tudo enquanto só o que ele queria era ficar olhando, talvez ele nem conseguisse parar para desenhar.
Enfim, não sei quanto ao David, mas eu não acho legal ter que desenhar uma pessoa sem roupas. Com roupas já é constrangedor, tenho sempre que fingir que eu não estou nem aí para o desenho, e dar aquela boa desviada de olhar de tempos em tempos. Além do mais, eu não sou artista, aprendi a desenhar há um semestre: não, eu não sei ser profissional, nem quero aprender a ser.
Não que eu ache tão absurdo assim uma pessoa pelada na minha frente, não sou daquele tipo que faria piadinhas ou daria risadas constrangedoras depois de sussurar no ouvido do colega ao lado. Eu só não sei desenhar, realmente, e acho que seria melhor se começássemos desenhando um boneco ou até uma casa com todos os seus pontos de fuga, uma rua, um carro, um cachorro, que tal?
E, depois, ainda tem toda a situação de o seu desenho ter ficado um lixo. Você lá, olho no olho com um modelo nu e vivo, e de repente a moça olha e percebe que os peitos dela estão muito mais assimétricos do que deveriam, ou vai ver você faz ela mais magra só pra não ficar chato, e o que acontece é que essa não era bem a proposta da atividade de observação... Imagina se você tivesse que realçar uma celulite com hachuras? E deve ter alguma coisa perdida no corpo da pessoa em que todo o mundo reparou e ela nunca tinha notado antes; pior, todo o mundo desenhou enquanto ela nem sabia que aquilo existia.
domingo, 29 de março de 2009
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