sexta-feira, 20 de março de 2009

O quarto da minha irmã está cheirando àquelas canetas tóxicas de desenho profissional (acabei de conseguir me familiarizar com o cheiro, a Paula insistia em dizer que era culpa da acetona que ela usou agora há pouco).

Digitando com dificuldade por causa do band-aid que eu coloquei no indicador esquerdo. O desenho do band-aid é by Alexandre Herchcovitch, e eu tive que colocá-lo porque fiz um movimento brusco para amarrar o cadarço do meu tênis e então a minha unha começou a descolar.

Voltei não faz muito tempo de uma palestra ou debate no Centro Cultural São Paulo com três dos meus professores (e mais dois designers), que serviu, acima de tudo, como uma percepção precisa de que eu estou na festa errada. Eu gosto de design, gosto de artes plásticas e tudo, mas não quero nunca ter a palavra designer antes do meu nome - ou então esse aposto terrível contextualizando o leitor ou ouvinte sobre a pessoa de quem se está tratando.

Acho que eu posso ser mais do que isso. Talvez seja melhor até não ter apostos. Ou ter outros mais neutros. Mais engrandecedores, seria bom.

Eu gosto de escrever mais do que de olhar, gosto mais de ler e menos de desenhar. Sou o contrário de cada pessoa naquela classe. Sei que design é um bom conjunto de tudo e não me imagino fazendo nenhum outro curso. Pelo menos não agora.

Mas, às vezes, queria estar lendo ou pensando e errando palavras ao invés de estar ocupada com o autocad. Tudo bem, a parte chata existe sempre, talvez se eu estivesse estudando estudos literários não agüentasse mais ver um livro na minha frente.

Sinto que eu perdi o domínio das palavras por estar em volta de pessoas tão despreocupadas com isso.

Se tem uma coisa que eu gosto de estar na fau é história da arte. Muita história da arte, e muita história também, toda a história tem me fascinado muito ultimamente. As histórias mais distantes, principalmente, nem sempre para entender mas só para saber o que aconteceu, como a maioria das coisas que a gente quer saber, só quer saber por saber.

Este post são idéias jogadas e desconexas. Mas, depois de uma semana sem postar, fiquei assim. Tenho rascunhos de quase todos os dias em que eu não postei, talvez um dia eles ainda cheguem a se tornar posts, mas provavelmente ninguém nunca vai lê-los, porque eles estarão nas páginas anteriores.

Tenho ficado muito sozinha em casa durante o dia e pensado muito. Não só em mim ou na minha faculdade; nos meus personagens, nas minhas pessoas. As pessoas da minha vida, onde elas estão? Por que parece que o meu tempo é sempre livre?

O Giulio Carlo Argan usa muito bem o ponto e vírgula (tem hífen?). Queria ser assim, e conhecer tudo o que ele conhece. Aparentemente vou ter que procurar ajuda em outros livros para conseguir ler o livro dele.

Fazer uma opinião, como é possível ser uma pessoa absoluta? Como ele (o Argan), o Hobsbawn, o Machado de Assis ou o Roberto Schwarz. Gente que você simplesmente senta e ouve. Se tivesse que falar com uma pessoa absoluta, não conseguiria. Não conseguiria perguntar as horas, nem pedir desculpas se esbarrasse no ombro de alguma delas.

Acho que vale estudar e tentar aprender o quanto antes. Talvez dê tempo, eu poderia ser uma velhinha de opinião.

2 comentários:

Unknown disse...

Seu post me fez pensar em várias coisas, das quais eu mesma poderia escrever durante um bom tempo e um semfim de parágrafos. Creio que você não escreva pelo feedback, e não estou certa de que gostaria de ler milhões de linhas de alguém que ainda não conhece bem, por isso não o farei. Mas tem uma coisa que eu queria dizer: talvez você não seja tão "o contrário" assim. Ás vezes as afinidades nunca aparecem, apesar de sempre terem existido. Imagina quantas pessoas podem estar se questinando sobre isso agora? Imagine. Mas isso é só opinião, não me leve tão a sério. (Acho que ainda estou burlando as novas regras ortográficas.)

um beijo,
karinetressler

Lírio Zaccaro disse...

Tem. (É como a sai japonesa.)