quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

2009: a chance definitiva para a minha vida.

Eu sei que eu tinha dito 5 anos (a Clau até me cobrou isso hoje), mas acho que só mais um está bom demais. Se não melhorar agora, nunca vai melhorar.

Fiquei pensando nisso e em outras coisas tristes enquanto voltava pra casa do ponto de ônibus, e é engraçado como os nossos pés realmente ficam mais pesados quando a gente está com idéias ruins na cabeça.

Outro dia a Mari R disse que acha que, de qualquer jeito, a gente vai estar chorando no dia 04 de fevereiro - ou de alegria, ou de felicidade. Isso ficou martlelando na minha consciência...

Então ontem, durante o almoço, eu perguntei "Mãe, você já chorou de alegria?" Ela pensou para dizer "Já... Já chorei de emoção" "Ah" "Você nunca chorou de emoção?" "Como assim? Acho que eu nunca tive uma emoção tão grande".

Fico triste por isso, será que em 18 anos nada valeu a pena de verdade?

Nada que me fizesse chorar de felicidade... (Me lembrei que eu nunca vi um menino chorando, o que não tem nada a ver mas me fez rir em algum momento, e é por isso que eu não imagino meninos chorando.) Uma vida vazia.

Por um lado é minha culpa, eu sei.

Fiquei planejando o meu suicídio, teria que ser uma cena linda, como eu já conversei com a Paula a respeito antes. Com vestidos compridos, no alto de um prédio, com muito vento e maquiagem.

Eu passaria 2009 preparando as pessoas ao meu redor para a minha morte. "Gente, o meu último aniversário!" ou "Nossa última viagem juntos!", e então os momentos seriam bem mais divertidos, porque seriam, é claro, únicos. Poderíamos fazer uma despedida, uma festa ou qualquer outro tipo de comemoração, e quem quisesse também poderia assistir à cena final.

Todos aceitariam muito bem porque seria uma opção - em nenhum momento me fariam pensar melhor sobre a minha decisão, ou tentariam me impedir de chegar aonde eu quisesse. No último dia do ano, eu não pensaria duas vezes antes de ir embora, e iria feliz, porque saberia que dali em diante as coisas começariam a dar mesmo errado se eu insistisse em continuar.

Morreria sorrindo, como a Nina faz enquanto dorme, e se doesse seria uma dor bonita e extremamente grata. Eu morreria e me espalharia por tudo, por todos os lugares do mundo, cada quark de mim flutuando nas correntes de ar, as pessoas me inspirariam e expirariam, eu estaria na água e entraria nos ciclos de vida dos outros animais.

2 comentários:

Unknown disse...

Belo texto, Eugenía. Aproveita esses momentos de melancolia que logo logo passa, e fica tudo feliz e a vida sem graça novamente.

Unknown disse...

eu tbm nunca chorei de felicidade eu acho... acho que nao é todo mundo que faz isso!