Consigo prestar atenção a várias ações simultâneas com facilidade, mas preciso de um esforço enorme para conseguir me dedicar completamente a uma única. O melhor exemplo disso: ler.
Estando em um quarto silencioso, costumo ler a primeira frase de um texto (de um livro, uma revista ou qualquer outra coisa) e, se estiver bem disposta, consigo passar à segunda. Senão, continuarei pensando no que estava pensando antes de começar a ler (talvez um assunto importante que andasse me preocupando, talvez a questão mais trivial do mundo, como o fato da capitular com que se inicia o texto parecer com uma iluminura, que me lembraria um trabalho sobre caligrafia que eu fiz no ano passado, que me lembraria uma história em quadrinhos que eu li no primeiro colegial, que me lembraria as aulas de idade média da sexta série, e assim por diante).
De repente, meia hora terá se passado - sem exagero - e eu me darei conta de que eu já terei lido a mesma frase inicial do texto mais de duzentas vezes e, ainda assim, não terei compreendido o que ela estaria querendo dizer. Afinal, porque eu simplesmente não paro de ler? Eu poderia pensar no que estivesse me atormentando o cérebro e, depois, poderia voltar a ler. Mas não se trata de algo voluntário.
Outra coisa ruim de ser eu é TOC de organização mental. Preciso hierarquizar tudo dentro da minha cabeça. Se não consegur, fico louca. Mas também fico louca tentando, então não faz tanta diferença assim.
Mais uma coisa ruim é o hábito que eu tenho de polarizar situações e sentimentos, o que é péssimo, porque é falso, já que o assunto são pessoas. Às vezes, me concedo a liberdade de pensar que posso estar agindo como uma personagem esférica, o que desculparia os meus atos contraditórios e me faria mais próxima de uma pessoa; no mais, gosto de pensar que todos têm opiniões irrefutáveis e concretas, que são espectros das suas próprias idéias, constantemente.
Mas nem eu sou isso, não ajo de acordo com valores definidos o tempo todo; quando mudo de opinião, me sinto a pior pessoa do mundo. Acho esquisito como é comum que se diga algo e, alguns dias depois, que se diga algo totalmente diferente, ou o seu oposto.
Outra coisa ruim de ser eu é TOC de organização mental. Preciso hierarquizar tudo dentro da minha cabeça. Se não consegur, fico louca. Mas também fico louca tentando, então não faz tanta diferença assim.
Mais uma coisa ruim é o hábito que eu tenho de polarizar situações e sentimentos, o que é péssimo, porque é falso, já que o assunto são pessoas. Às vezes, me concedo a liberdade de pensar que posso estar agindo como uma personagem esférica, o que desculparia os meus atos contraditórios e me faria mais próxima de uma pessoa; no mais, gosto de pensar que todos têm opiniões irrefutáveis e concretas, que são espectros das suas próprias idéias, constantemente.
Mas nem eu sou isso, não ajo de acordo com valores definidos o tempo todo; quando mudo de opinião, me sinto a pior pessoa do mundo. Acho esquisito como é comum que se diga algo e, alguns dias depois, que se diga algo totalmente diferente, ou o seu oposto.
Por isso, não gosto de expressar o que eu penso até que eu o considere realmente verdadeiro (sendo que algo verdadeiro, admiti, nunca é de uma verdade absoluta - infelizmente, aparentemente, mas, no fundo, felizmente).
Quando conto algo a alguém - qualquer coisa, a qualquer pessoa -, abro espaço para que imagens sejam construídas ao meu redor, para que associações sejam feitas a quem eu sou. E o que eu sou, inevitavelmente, perpassa por todas as coisas que eu digo. Talvez fosse melhor simplesmente não dizer, não dizer nada nunca, desconversar, fingir que não estou ouvindo quando me perguntam e encarar até que desistam. Ou nem tentar escutar, e me livrar de todo o convívio que possa extrair palavras de mim, nunca mais sair de casa ou nem mesmo me levantar da cama, e então os únicos movimentos que eu precisaria fazer seriam os de abrir e fechar os olhos.

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