quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Acho horrível quando me fazem perguntas que me forçam a me imaginar no futuro. Ninguém parece entender que eu não sei e, pior, que eu não quero.

Infelizmente, também não quero o presente. E o passado, me sinto muito bem a cada vez que imagino como eu era, em qualquer época da minha vida.

Fiz a minha última lista de problemas há alguns dias, mas não lembro onde a escrevi. Na verdade, nunca tenho coragem de escrever todos. Às vezes preciso escrever em códigos. Em fragmentos. Trocando a ordem das palavras, ou em inglês.

Talvez eu nem tenha escrito, só tenha pensado. É comum que eu esteja pensando nos meus problemas em forma de lista, conto-os nos dedos mas quase nunca chego a realmente escrevê-los. Não só por medo de serem encontrados e lidos. Principalmente por medo de, escrevendo-os, efetivá-los.

Lembro de ter tido uma conversa sobre lista de problemas com a Maia no ano passado, ela se sentia triste por algum motivo específico e eu mencionei a minha lista de problemas; eu disse que só me considerava triste de verdade quando não conseguia ter nada dentro da cabeça além da lista, ou quando ficava imaginando demais qual seria a reação das pessoas diante da notícia da minha morte. Acabei mencionando alguns dos problemas que vinham entrando nas minhas listas desde 2006 (quando eu comecei a criá-las) para dar exemplos, porque, de início, ela não entendeu direito o que eu queria dizer com "lista de problemas". (Engraçado como, para mim, elas eram parte essencial do que quer que significasse vida, mas, para ela, não podiam nem mesmo ser compreendidas.)

Ainda me lembro da minha primeira lista de problemas, anotada em uma das últimas páginas do meu caderno de química do segundo ano, justamente durante uma aula do Zink. Era um caderno A4 horroroso, com linhas rosa-choque que eu tinha encapado com uma impressão de um pôster do filme Sobre café e cigarros bem parecido com o que eu tenho pendurado na minha parede até hoje.

Naturalmente, não me lembro de todos aqueles problemas, mas me lembro de alguns que, não por acaso, são os que perduram até hoje. Estes são os piores de todos, consigo acompanhar sua evolução mentalmente ao longo dos últimos anos, alguns se agravaram, alguns se amenizaram; eles nunca se solucionarão e, ainda que encontrem (em última análise, que eu encontre) saídas plausíveis, já conseguiram deixar marcas em mim que jamais serão apagadas. Talvez sejam superadas, repensadas ou encaradas de formas mais amenas, mas elas estão em mim sem nunca terem como me abandonar.

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