Então crescemos condicionados a acreditar que os shopping centers são a pior invenção da humanidade. Nossos pais detestam nos levar até um deles, reclamam da falta de vagas no estacionamento e de ter de se submeter ao barulho de muitos decibéis a mais que o aconselhado pela Organização Mundial de Saúde.
Nossos professores de história nos ensinam que a lógica utilizada na construção dos shopping centers é a mesma que a de presídios e monastérios, a qual induz os seus freqüentadores a olhar para dentro, isolando-se do resto do mundo. Dentro de qualquer um desses três tipos de edificação, a idéia é, portanto, que não se saiba se é de dia ou de noite, se faz chuva ou sol ou o que quer que esteja acontecendo do lado de fora (bombardeios, passeatas, dilúvios).
Somos induzidos a olhar para dentro apenas para que consumamos, para darmos vida ao capitalismo e nos sentirmos bem por causa disso - o que é horrível, deplorável, deprimente, é claro.
Os urbanistas nos dizem que os shopping centers são os responsáveis pela decadência das cidades, porque concentram seus habitantes enclausurados, tornando as ruas menos movimentadas e, por isso, ermas, mais propícias a assaltos e outros tipos de comportamentos ruins.
Eles também ligam a expansão dos shopping centers ao aumento da quantidade de carros na cidade, outra situação péssima, porque piora o trânsito e faz com que se deixe de exigir um transporte público de qualidade, os políticos espertos passam a moldar as cidades de acordo com o transporte individual e quem fica prejudicado é, justamente, quem tem menos dinheiro.
Os sociólogos encontram nos shopping centers um símbolo preciso para explicar a massificação das sociedades contemporâneas, o anonimato nas grandes cidades e a conseqüente perda de identidade dos cidadãos.
Concordamos com isso e usamos argumentos decorados quando alguém decide ir a um shopping center por qualquer motivo, tentando persuadi-lo do contrário.
E eu só consegui compreender a verdadeira essência dos shopping centers quando fui salva por um do frio de dez graus negativos. Engoli meu ódio imediatamente e, enquanto recobrava os movimentos das mãos e a sensibilidade da pele do rosto, não conseguia pensar em nada senão nas palavras de um dos meus anti-heróis preferidos: "Viva a civilização!"
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário