sábado, 24 de outubro de 2009

Misturando melancolia com M&M's, noites pouco dormidas, hálito de cerveja (dos outros, claro), piadas ruins de pessoas interessantes, preguiça de existir e vontades pontuais de viver.

Os dias continuariam correndo normalmente, minha mãe não pararia de gritar e eu não deixaria de existir tão cedo, as minhas unhas cresceriam como sempre - todos os dias? -, eu dormiria tarde e acordaria logo depois, não consigo entender como nem por que motivo alguém ainda continuaria se importando.

Meus lábios latejariam e eu teria machucados aleatórios, sem nem poder ter escolhido em que parte do corpo eles aparentariam menos saúde. Minhas mãos ainda repousariam encaixadas sobre a minha cintura.

Planejo uma morte por acidente não porque eu esteja planejando algum acidente em especial, mesmo porque, se fosse planejado, não seria acidente. É uma conveniência e uma satisfação: eu não teria que me preocupar em não me acidentar.

Me sinto mal por estar parecendo idiota, eu sempre acho que estou parecendo idiota mesmo quando não estou, sou menos idiota que muita gente - tenho consciência disso - e ainda assim olho para baixo e enfio casualmente as mãos nos bolsos quando algumas pessoas me olham de frente. Começo a andar mais rápido e, de repente, estou sozinha de novo, as pernas correndo enquanto tentam evitar que os joelhos não se toquem.

Tenho medo de ser mais velha; mas queria, por alguns instantes, a sensação de já ter vivido mais tempo, tento me lembrar de como eu era no passado e nunca dá certo, porque busco um passado recente demais, queria ontem ao invés de cinco anos atrás, mas quero o futuro de daqui a cinco anos muito mais do que o de amanhã.

Nenhum comentário: