quinta-feira, 26 de junho de 2008

Na pilha. Meu maxilar meio que se mexendo sozinho. Mas ok, acho que é psicológico.

Dormi à tarde porque estava com frio e sem vontade de nada. E tive um pesadelo horrível em que eu era meio que esquizofrênica, por que os sonos da tarde são sempre ruins? Chegou naquele ponto em que eu, no sonho, sabia que precisava acordar mas não conseguia, e as coisas ficavam rodando, eu entrava dentro de um jogo de videogame e ia me machucando toda (a segunda vez que entrei em um jogo de videogame em um sonho em muito pouco tempo).

Daí acordei com raiva, dor de cabeça e um mal-estar pontiagudo, tentei estudar mas no lugar disso fiquei desenhando letras. Fiquei pensando na Meg e em coisas bad, pensei nas pessoas e nos relacionamentos que elas têm umas com as outras. Pensei nas dezenas de ex-namorados que eu conheço que nem se falam mais. Não é estranho gostar muito de uma pessoa, vê-la todo dia e depois só conversar com ela muito de vez em quando? Estranho porque não costuma ser uma coisa que acontece com outros tipos de relacionamento, não é?

Do tipo: você briga com o seu irmão e dali em diante vocês nunca mais combinam de se encontrar, nem vão mais um na casa do outro ou fazem coisas juntos que gostavam de fazer antes. Muito estranho, acho que, se o cara for o seu irmão, ou você briga briga com ele, e vocês nunca mais se falam, ou vocês vão ter uma relação constante para sempre, não importa o que aconteça. O mesmo vale para um amigo, acho.

Daí me veio isso na cabeça:

Pela primeira vez na vida, me perguntei se a vida valia todo o esforço necessário para se viver. O que, exatamente, fazia a vida valer a pena? O que há de tão horrível em permanecer morto para sempre, não sentindo nada e nem mesmo sonhando? O que há de tão especial em sentir e sonhar?

(que é Jonathan Safran Foer).

Isso consegue me deixar realmente triste. E acho particularmente legal que um menino de oito anos (o Oskar, de Extremamente alto & incrivelmente perto) possa pensar em uma coisa dessas. Com essa idade eu não me preocupava com o futuro. Ou talvez até me preocupasse, mas tinha muita esperança e muito pouca ansiedade. Nunca havia parado para pensar, como o Oskar, que as coisas podiam dar errado. Ok, talvez, se eu tivesse perdido uma pessoa tão importante para mim como o pai dele era para ele, eu tivesse feito reflexões diferentes. Não, acho que nem assim. Não mesmo.

Enfim, nada a ver com nada, mas ontem eu fiquei pensando que o fato de eu só fazer coisas para mim mesma, ou seja, para o meu próprio benefício, é o que pode estar estragando a minha vida. Pensei na Nina e em uma conversa que eu, ela e a Mari R tivemos mais ou menos sobre isso outro dia, sobre se alguém é capaz de fazer alguma coisa pensando só em outras pessoas. Quase chegamos à conclusão de que isso é impossível, porque, ao fazer o bem para os outros, em última análise o que você quer é se sentir bem com você mesmo. Acho que esse é mais ou menos o princípio da caridade ou de qualquer ação social, mas talvez fazer o bem para os outros, mesmo sendo com a intenção inconsciente de se atingir o bem-estar pessoal, possa fazer melhor do que o bem-estar pessoal propriamente dito.

Fico com medo de que os objetivos que eu tenho para a minha vida sejam egoístas demais e que, ao final - se é que eles se realizarão -, não tenham me levado a lugar nenhum. Vou ficar muito triste se eu chegar ao meu último dia e perceber que eu não fiz nada do que eu gostaria, mesmo se for por eu não ter conseguido fazê-lo, mas vou ficar mais triste ainda se eu tiver feito as coisas erradas, o que inclui as escolhas erradas, o que inclui ter pensando muito em mim e pouco em coisas ao meu redor que talvez merecessem mais do meu tempo ou da minha disponibilidade.

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